quarta-feira, 30 de abril de 2008

A ANGÚSTIA NA SUA FORMA MAIS DRAMÁTICA

O GRITO (Edvard Munch, 1893)

Munch afimava: “Não devemos pintar interiores com pessoas lendo e mulheres tricotando; devemos pintar pessoas que vivem, respiram, sentem,sofrem,e amam”.


Uma historiadora de arte identificou a paisagem que inspirou o pintor expressionista a fazer seu quadro mais famoso. Segundo Sue Pridaux, trata-se de Kristiania, a Oslo atual, vista do parque de Ekebert, em cujo asilo psiquiátrico a irmã mais nova de Munch, Laura, foi internada devido à esquizofrenia. O lugar também fica perto do matadouro da cidade, explica a especialista Pridaux, acha que os gritos dos animais no matadouro combinados com os dos loucos do asilo intensificaram a ansiedade do artista sobre seu próprio estado de saúde. Munch, que perdeu a mãe e a irmã mais velha na infância, sofreu com freqüentes depressões e crises de alcoolismo.O famoso quadro mostra uma linha diagonal, que, segundo se achava, representava uma ponte, mas Pridaux a identificou como sendo um muro de segurança que ainda existe na região.Much utilizou esse mesmo fundo em suas obras "Desespero" e "Ansiedade".


Depoimento de Munch:
"Estava na estrada com dois amigos e o sol se pôs. De repente, o céu ficou vermelho-sangue, e senti o frescor da tristeza... As nuvens sobre o fiorde gotejavam sangue", escreveu Munch. "Meus amigos", lembra o artista, "seguiram seu caminho, mas eu fiquei tremendo, com uma ferida aberta no peito... Ouvi como um grito extraordinário atravessava a natureza".

Munch descreveu esse texto para explicar a tela, tornando público o exato momento da apreensão de uma realidade, depois transformada em objeto de arte. As cores assustadoras vistas por Munch, freqüentes durante os crepúsculos de outono nos países nórdicos, foram atribuídas por astrônomos americanos em 2003 ao resultado de uma explosão vulcânica ocorrida na Indonésia em 1893.
ANGÚSTIA
Angústia é um romance publicado por Graciliano Ramos em 1936. Na época Graciliano estava preso pelo governo de Vargas e contou com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, para a publicação.
Esta Velha Angústia , por Fernando Pessoa

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase, Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Pobre velha casa da minha infância
perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino?
Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui?
Está maluco.
Hoje é quem eu sou.
Se ao menos eu tivesse uma religião
qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala,
coração de vidro pintado
Proposta de atividade:
Um Trabalho excelente para ser feito em sala de aula :
Música O Fourtuna - Carmina Burana

terça-feira, 29 de abril de 2008

Castro Alves : O poeta da Indignação


Estou trabalhando o romantismo nos segundos Anos do ensino médio e meus alunos ficaram encantados quando lhes apresentei os poemas de Castro Alves. Ficaram todos curiosos pela diferença entre o estilo do autor, comparado com os poetas de sua mesma geração. Também ficaram emocionados com a sua causa e todos declamaram com bastante entusiasmo a poesia Navio Negreiro.
O tema da escravidão africana é muito vasto. Iniciar pela exibição do filme Amistad faz com que os alunos, imediatamente entrem na densidade do tema, facilitando demonstrar as injustiças por que passaram aquele povo, até chegar aos dias de hoje. Amistad é um filme estadunidense de 1997, do gênero drama histórico, realizado por Steven Spielberg, e com roteiro escrito por David Franzoni. História remonta ao ano de 1839 e é baseada em factos verídicos que ocorreram a bordo do navio homónimo deste filme. Amistad relata a luta de um grupo de escravos africanos em território americano, desde a sua revolta até ao seu julgamento. Através desta trama de forte conteúdo emocional, é possível conhecer as condições de captura e transporte de escravos africanos para os trabalhos na América do Norte, a máquina jurídica americana de meados do século XIX e o germe das primeiras medidas para a abolição da escravatura naquele território.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amistad_(filme)
O navio Negreiro
Castro Alves


Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co'a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?...

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!



Quem são estes desgraçados

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são? Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa...

Dize-o tu, severa Musa,

Musa libérrima, audaz!...



São os filhos do deserto,

Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto

A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão.

Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,

Sem luz, sem ar, sem razão. . .



São mulheres desgraçadas,

Como Agar o foi também.

Que sedentas, alquebradas,

De longe... bem longe vêm...

Trazendo com tíbios passos,

Filhos e algemas nos braços,

N'alma — lágrimas e fel...

Como Agar sofrendo tanto,

Que nem o leite de pranto

Têm que dar para Ismael.
Trailer do filme " Amistad"


sábado, 26 de abril de 2008

Alan: O Aluno Destaque do Bimestre


Meus caros alunos do terceiro"A", não foi desta vez que vocês foram os escolhidos, embora eu tenha ficado com muita dúvida em qual a melhor crônica da sala, pois a da Hemily também é perfeita. Pena que ela tenha desistido de estudar por causa do bebê. Aguardem que eu vou lê-la para vocês. Agora, a crônica do Alan faz inveja até ao Luis Fernando Veríssimo.


Ações da vida, situações vividas


Aquele dia não estava para mim, logo após ter acordado, fui tomar café e estranhamente meu copo de leite escapou da minha mão e: crash! Depois de longas reclamações de minha mãe, consegui sair para ir à escola. Peguei a magrela, pois meu colégio ficava a dezessete quadras de casa. Na metade da quarta quadra, a corrente enroscou na catraca trazeira, me distraindo e não me fazendo ver que estava prestes a enfiar o pneu dianteiro numa vala do bueiro.Pam! Quase ninguém viu, exceto as vinte e três pessoas que estavam em uma padaria em frente ao maldito bueiro. Deixei a bicicleta em casa e saí correndo, sim minha família tinha carro, mas quem disse que estava funcionando? Chegando na metade da segunda aula, português. Estava subindo as escadas e a mina mais linda do colégio estava descendo para ir à biblioteca a pedido da professora, sua beleza era tanta que deixei de olhar os degraus e caí como uma anta... Nisto, já era a terceira aula e enquanto minha fraca e humilhada mente pensava que não iria mais sofrer naquele dia, o professor de educação física, ao invés de me contar resevadamente, acha melhor falar que minha calça está de trás para frente e ainda por cima do avesso, na frente de toda a turma! Quando estava retornando para casa já não estava mais com vergonha das situações embaraçosas, e sim com medo das próximas, mas acabaram. Foi o pior dia de aula em minha vida. O trauma foi tão grande que estou há três meses sem sair de casa. A única coisa boa que poderia provir daquele dia, seria se alguém contasse a minha história de forma escrita e ganhasse algo com isso. De outra maneira aquele terrível dia de aula seria, apenas algumas situações vividas.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dica de programa


Estou dando uma passada rápida por aqui, porque estou cheia de provas e trabalhos para corrigir! Seguinte: Vi que o tema de hoje do Happy Hour, será sobre Geração Blog ( GNT). No site a chamada diz:
Diários virtuais com músicas, vídeos, confissões, são a moda dos internautas. (Não é o nosso caso)
Tem gente aproveitando a ferramenta para divulgar seus trabalhos e defender todo tipo de causa, e já existem blogs que estão se tornando populares como fontes de informação. (Acho que nós entramos neste gênero)
Que necessidade é essa das pessoas resolverem expor suas vidas, para uma, dez, um milhão de pessoas? (Vida, não! Idéias, sim!)
Horários : Hoje : 19:00 h , reprisa meia noite e segunda-feira às 12:30horas.

Então meus caros amigos blogueiros , vamos dar uma olhada...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Os Comentários


Começo o meu trabalho com o Blog vendo meus e-mails e os comentários que são sempre surpreendentes. Na verdade esses comentários é que sustentam o meu trabalho e a vontade de sempre trazer pesquisas novas, opiniões centradas ou polêmicas. Em função disto quero colocar aqui alguns comentários de amigos que sempre estão visitando-me e postando suas idéias geniais.


Sobre o post: Grafite a arte de rua em Portugal

Por Rodrigo Fernandes

Que incrível, sempre me surpreendo com esses trabalhos. Têm vários aqui no Brasil que já vi em reportagens, enfim... Impressionante!Fico imaginando se não seria mais interessante para as prefeituras que têm prejuízos com pichações, vandalismos em prédios público em apostar na idéia de incentivar tais iniciativas de grafiteiros. Já vi alguns muros que são grafitados com belíssimas pinturas e que nunca mais ganharam nenhum tipo de vandalismo... Honestamente não consigo compreender como um ato tão simples possa ser solução para tanto vandalismo por aí e não ser adotado por nossas autoridades... beijos


sobre Crepúsculo dos Deuses:

comprei ele em DVD é um que não empresto mas nem amarrado!!! hehehe...grandioso, espetacular, tudo de bom, posso levar horas colocando adjetivos pra ele.. sensacional esse filme...Glória Swanson caiu perfeitamente bem no papel e só depois fui ver sua filmografia e história e aí que não tive dúvidas mesmo... ela teve coragem tbm....acho de muita criatividade o final dele...grande filme de Wilder...sempre com ótimas dicas de literatura e filmes... ótimo...beijos


Sobre o Sítio do Pica Pau Amarelo
Lembro-me de ter assistido alguns episódios na Tv cultura, só não me recordo da data... Adorava e nada se compara ao que a globo transformou nos dias atuais. É uma pena, pois a magia de Lobato se perdeu, foi modernizada de forma errônea...A semana foi repleta de atividades no Sítio aqui na minha cidade Taubaté; alias a cidade sempre faz homenagens belíssimas para esse grande autor... Grande Lobato!


Sobre o Apanhador no Campo de Centeio

Já tinha ouvido falar desse livro há um tempo atrás, mas até então não tinha lido nada sobre ele...muito interessante.Vem por aí um filme sobre o Chapman, vais ser com o Jared Leto, mas nem sei quando vai estrear, deve com certeza fazer referencia ao livro...Ótima dica de leitura, só espero que não tenha mais loucos por aí com os mesmo pensamentos do tal Chapman. Eu acredito que não tenha influenciado coisa alguma o cara ter matado o Lennon, ele já deveria ter um desequilíbrio anterior pra planejar tal ato, o livro foi só um "empurrãozinho" que ele deve ter encontrado e uma desculpa para cometer tal atrocidade. É uma pena existirem pessoas com tanta limitação. É a mesma coisa do polemico "CLube da luta" onde muitos jovens repetiram os ator do Brad pitt no filme... ou agora com "Tropa de elite" ... é uma pena que a humanidade tenha gerado seres tão limitados...


Sobre o post "Tapina não dói", por Neemias


O que é literatura pra mim, pode não ser para outrem. Não posso eu caracterizar e dizer que apenas Alencar, Machado, Suassuna... são literaturas. Os livro adversos que hoje enchem a prateleira e vitrines de livrarias também são literatura. O que devemos é fazer com que pessoas aprendam a ser leitores e é obvio a ler grandes nomes. Em relação a modernização, quando na semana de arte moderna houve a revolução na pintura, na arte em si, muitos criticaram, hoje é um grande feito, acarretou uma difusão de grande importância. Agora na música...Minha opinião...infelizmente na minha concepção, pré decadente, mas o que é cultura pra mim, pode não ser cultura pra outrem. Queria eu ter uma visão do futuro, e ver se o funk, essas músicas idiotas, consumistas , que não trazem proveito algum. O que critico sao as letras e não o ritmo, - vão trazer aproveito como na semana de arte moderna...será? O conceito de arte é amplo. A música tem que trazer algo de mudança, que satisfaça, não momentaneamente, tem que ter algo de proveito, trazer mudança de conceito e concepção, e não irritação e prazer momentaneo. Cantigas de amigo... como havia nos cancioneros na na época antiga, mpb, afinal se haverá proveito no futuro, não sei... Espero que traga agora na sociedade atual- Alexandre Herculano que depois da morte foi reconhecido depois de 100 anos de sua partida quem sabe daqui a 100 anos essas músicas, tenham proveito (nem que seja pra geração vindoura rir e admirar o quanto havia de chato nisto. hahahahaha)


Sobre Um Tapinha não dói, por Camila

A censura sempre esteve presente, não somente na cultura brasileira mas em outras també. A veja da semana passada publicou as alegações na época da Ditadura para barrar poemas de Mário de Andrade, como "Lira Paulistana", por faltar "gosto". Os EUA também estão barrando artistas, como a cantora Amy Winehouse, alegando torpeza moral. Acredito que qualquer forma de censura é detestável, mesmo quanto a músicas que nada acresentam a sociedade. Acredito que cabe a cada um o que escutar e o que deixar de lado.


Sobre a novela Duas Caras, por Rodrigo Azevedo:

Como eu trabalho à noite não estou por dentro dessa novela. Mas sei quem é quem é e volta e meia consigo acompanhar algumas histórias. Gosto do Agnaldo Silva. Acho que ele e Silvio de Abreu são os melhores autores em ação.


Sobre Oscar Wilde, por Camila

Oscar Wilde é um dos meus escritores preferidos... sempre adorei seus livros e principalmente seus aforismos, que, pelo menos para mim, são a pura realidade. Sei vários de cor, de tanto lê-los, ah também mais um detalhe da biografia de Oscar Wilde, ao ser condenado por homossexualismo, sua família ficou proibida de usar seu sobrenome por 100 anos. Excelente os aforismos escolhidos, bjooos


Sobre "Os Sertões", por Pedro Henrique:

Eu li "Os Sertões", mas há muito tempo. Assim que puder folharei novamante o brilhante livro de Euclides da Cunha.


Sobre Hollywood e seus figurinos maravilhosos, por Márcia:


Hey sister, só quem é mulher para entender a profundidade desta cena memorável... está além da possibilidade da imaginação de um homem.. desista ela não foi feita para homens!!! E além do mais tem a questão da Tiffany´s só quem é mulher e gosta de jóias poderia entender esta cena!!!estou falando sério, é uma questão de feeling!


Sobre os livros em Lost, por Ana Paula

Vou começar a ler alguns desses livros, quem sabe desvenda o mistério da série????? Nâo acredito que já acabamos a 3ª temporada, está sendo horrivel essa espera pela 4ª...Ahh, e o seu blog está maravilhoso... Bjus...


Sobre Os filmes Fantáticos, por Maurício

Oi Miriam!Parabéns pelo blog, é muito interessante, vou ser sincero que ainda não li tudo, mas o que eu tive a oportunidade de ler gostei muito, principalmente o texto do terno e os comentários de Crime e Castigo.Um grande beijo pra todos.


Obrigada, amigos.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

SÍLVIA ENFIM LEVA PÉ NA BUNDA!


Nos dias de folga, quando não trabalho à noite, acompanho esta novela e gosto muito. Para quem está seguindo, na próxima quarta-feira, vai acontecer uma das cenas mais esperadas: Leiam e depois comprovem . Um belo final de feriado para vocês!


CENA 35/

casa de ferraço/ escritório/ Interior/ Noite.

Ferraço, sempre de costas, a olhar pela janela. A porta se abre devagar, sem fazer nenhum barulho, Sílvia escorrega pra dentro do escritório... Com uma faca enorme na mão! Ela vem em direção a Ferraço com a faca em riste, vai atingi-lo pelas costas, mas no exato instante ele se vira e segura o seu braço. Sílvia solta um grito.

SÍLVIA — Solta o meu braço!

FERRAÇO — Larga essa faca!

SÍLVIA — Você tá me machucando!

FERRAÇO — Você ia me esfaquear! Larga!

SÍLVIA — Você não vai me botar pra fora da sua vida assim, Ferraço! Não vai me ver saindo dessa casa, sabe por quê? Porque eu te mato antes disso!

Sílvia tenta atingi-lo com a faca, Ferraço aperta a pegada.

FERRAÇO — É o que você pensa!

Breve queda-de-braço dos dois.

FERRAÇO — Eu não quero te machucar!

SÍLVIA — E me dar um pé na bunda é o quê?!

FERRAÇO — Solta essa faca!

SÍLVIA — Nunca!

FERRAÇO — Não me obrigue a ser violento, Sílvia!

SÍLVIA — Você já acabou comigo, Ferraço! Agora, eu vou acabar com você!

Sílvia tenta investir de novo com a faca, gritando.

FERRAÇO — Você está pedindo!

Ferraço ensaia uma chave de braço nela.

SÍLVIA — (grita) Se não vai ser meu, não vai ser de mais ninguém! Muito menos dela!

Ferraço consegue controlar a mão dela, ficam numa luta perigosa. Até que Ferraço consegue bater a mão de Sílvia algumas vezes contra um móvel e ela acaba soltando a faca.

SÍLVIA — Estúpido!!! Eu vou te matar!!!

E Sílvia então literalmente avança pra cima de Ferraço e morde o rosto dele, na altura da maçã direita! Ferraço solta um grito e dá um tapão nela, pra se livrar da dor e dos dentes dela. Sílvia vai cair longe, estatelada. Ferraço leva a mão ao rosto, onde já se vê a marca dos dentes dela. Sílvia totalmente regredida.

SÍLVIA — Você me bateu!!! Nem meu pai nunca fez isso!!!...

FERRAÇO — Foi o que te faltou. Palmada!

SÍLVIA — Nenhum homem nunca me encostou a mão, tá ouvindo!?!

FERRAÇO — Pois eu vou encostar de novo!

E Ferraço vai até ela e cata Sílvia pelos cabelos.

SÍLVIA — Aí! Me solta! Tá machucando! Meu cabelo, me solta!!!

E Ferraço vai levando dali Sílvia, que esperneia relutante.



CENA 36/

casa de ferraço/ sala/ Interior/ Noite.

Ferraço e Sílvia atravessam a sala, ele a puxando pelos cabelos.

SÍLVIA — Você vai me pagar, Ferraço! Vai pagar muito caro!

FERRAÇO — Entenda-se com o meu advogado, que aliás é seu tio! Vamos ver que direitos esse chupão aí no seu pescoço te dá!

SÍLVIA — Esse chupão foi você que me deu, quero ver você provar que não foi!

FERRAÇO — Eu compro o teu amante pra ele falar a verdade. Do lado de quem você acha que ele vai ficar?

Eles chegaram à porta, que Ferraço abre, ameaçando jogá-la lá fora. Sílvia se agarra aos umbrais, desesperada. A chuva caindo ali fora. Então ela resolve apelar.

SÍLVIA — Não, Ferraço! Não precisa me botar pra fora, eu sei que você só tá fazendo isso só pra me assustar. Eu aprendi a lição! Eu nunca mais vou te trair!

FERRAÇO — Ah, mas não vai mesmo!

E Ferraço empurra Sílvia porta afora e bate a porta atrás dela.

domingo, 20 de abril de 2008

Os Goonies


Um filme que transformou uma geração em goonies. Steven Spielberg criou o clima perfeito, os atores incríveis e a música de Cindy Lauper não podia ser melhor... É um daqueles filmes que marcam, e mesmo que não seja o melhor filme já feito, acaba sendo um dos mais divertidos. É uma deliciosa aventura que explora o sentido do dever, da união, acima de tudo, da amizade. E o interessante para este público que gosta do imaginário é o mistério em torno de Willy Caolho, o medo dos fratelly, o bocão e as trapalhadas com a empregada e o monstro bonzinho Sloth. Mas o personagem mais simpático é o gordo. A cena da confissão é hilária, para não dizer o clímax. Virou até comunidade no orkut.

Para quem ainda não viu, vale a pena ver a confissão do gordo:


sábado, 19 de abril de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Monteiro Lobato: Uma homenagem


Um vídeo de 1978, uma época em que a Globo nos passava a série: Sítio do pica pau amarelo, numa versão bem mais fiel que as atuais. Valia a pena assistir.
Neste vídeo Emília escreve o seu texto final de suas memórias. Lindo!
Se quiser rever mais vídeos antigos e novos, como também textos referentes ao autor acesse o link abaixo:

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Esse livro eu tive muita vontade de ler:O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger


É possível que você nunca tenha lido O Apanhador. Porém, se você tem um mínimo de "antenidade" com o mundo, talvez já tenha ouvido falar deste livro no cinema, em jornal, revistas ou em outros livros. O fato é que este romance de 1951 virou lenda ao longo dos anos, e fez de seu autor, Jerome David Salinger, um dos maiores mistérios da história recente da literatura. A pequena revolução que O Apanhador causou no comportamento da juventude americana e do mundo, ecoa até hoje, fazendo parte da cultura da segunda metade do século XX.

Uma das notas tristes na "biografia" da obra é que o livro teria inspirado o maluco Mark Chapman a cometer o ato que o tornou famoso - assassinar John Lennon, em 1980. Hoje, Chapman recusa a liberdade condicional por medo das ameaças de morte.
Quando tudo isto ocorreu e fiquei sabendo da influência deste livro na decisão do assassino, quis lê-lo. Não foi fácil consegui-lo porque aqui no Brasil ele não era tão conhecido. Li-o rapidamente procurando fazer uma análise das causas desta influência. A conclusão que cheguei é que o autor somente fala da rebeldia do protagonista, mas em nenhum momento se refere a assassinatos de pessoas famosas ou não. Embora seja um hino da revolta juvenil, O apanhador no campo de centeio também é lido por marmanjos. Não é preciso ser jovem para identificar-se com o anti-herói, rebelado contra a sociedade. Em nenhum momento, contudo, o livro de Salinger faz apologia à violência ou ao ódio. O tema da rebeldia não justifica qualquer crime, ao contrário do que entendeu o assassino de Lennon. Ele levou ao pé da letra as revoltas passageiras do personagem, das quais o próprio se arrependeria. Ao contrário do criminoso, Caulfield não sofria de esquizofrenia e qualquer doença mental. Apesar de Chapman ter culpado parte do romance pelo sangue derramado, a rebeldia inaugurada na narrativa de Salinger está longe de estimular a barbárie. Logo após a morte de Lennon, as vendas do clássico dispararam, até firmar-se como best-seller e leitura obrigatória. Todo mundo queria saber quem era Holden Caulfield. O que tinha de tão curioso a ponto de inspirar um assassino?
Outro uso misterioso da obra foi no filme Teoria da Conspiração, em uma referência a Chapman traz Mel Gibson no papel de um lunático que compra todas as cópias de O Apanhador... que consegue encontrar, sem nunca ter lido o livro.
Salinger, ao escrever, não imaginava o estrondoso sucesso que viria. Se soubesse, talvez não tivesse sido capaz de criar um romance tão despretencioso e modestamente banal. Até porque levou uma vida semelhante a de seu personagem, anti-social. A narração em primeira pessoa é repleta de gírias e expressões jovens. É assim que o personagem vomita sua inocência. Embora transcorrido nos anos 50, o romance parece não ter época. Poderia ser adaptado para qualquer década posterior. A ausência de sinais do passado, exceto por uma máquina de escrever, evidencia que o romance não envelheceu como ocorre com os clássicos estabelecidos.

Depois de vender 15 milhões de exemplares e virar uma celebridade mundial, Salinger, tímido e modesto em relação a seu talento, isolou-se em uma casa no topo de uma montanha, em uma cidadezinha de mil habitantes. Diminuiu o ritmo do seu trabalho e afinal cortou qualquer contato com a mídia. Não concede entrevistas, não se deixa fotografar e nunca permitiu que nenhum dos seus livros fosse adaptado para o cinema.

terça-feira, 15 de abril de 2008

FARRAPO HUMANO


Farrapo Humano ( The Lost Weekend)

Um título muito bem escolhido em português, para se falar de um tema ( o alcoolismo) muito bem abordado neste filme. Acho até que nenhum outro já o abordou com tanto realismo. Este excelente filme só podia ser dirigido por Billy Wilder, com Ray Milland como um jornalista frustrado por não conseguir escrever, sente-se bloqueado e por isso começa sua autodestruição. As imagens mais chocantes são as visões que o alcoólatra tem (delirius tremens) , torna-se ainda mais perturbante pela trilha sonora totalmente lúgubre. Ganhou quatro Oscars no ano de 1945.
Billy Wilder relatou que a indústria de bebidas alcoólicas estadunidenses tentaram impedir a realização do filme, oferecendo-lhe cinco milhões de dólares, mas Billy previu que este filme ganharia muitos prêmios. O ator Ray Milland fez um laboratório para se preparar bem, passando uma noite em um hospital como paciente de alcoolismo e ficou sem comer para que sua imagem parecesse debilitada. Pode e deve ser explorado como meio didático em colégios onde há este tipo de problema. Adquiri este filme em DVD. É um daqueles que não pode faltar na coleção de um cinéfilo.


Assista a cena onde o personagem sofre uma crise de Delirius tremens :

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Vergonha Com Legendas - Ídolos - Hino Nacional do Brasil

Esse é o perfil da maioria dos brasileiros. Se for pedido a qualquer um que cante o Hino Nacional é possível que cantem assim : como estes calouros do programa "Idolos".
Confiram e chorem...

domingo, 13 de abril de 2008

Conto de Fadas para Mulheres do Século 21

Recebi este conto de fadas da minha querida amiga Mara, só podia ser dela mesmo, pois é uma pessoa muito especial que conheci no PDE. Amiga, este post dedico a você.

Era uma vez, numa terra muito distante,uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
__ Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas, uma bruxa málançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. Aminha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar,
lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre... E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
'Nem fo....den...do!'
(Luís Fernando Veríssimo)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Triste Fim de Policarpo Quaresma


Análise da obra

Triste Fim de Policarpo Quaresma é a obra mais famosa de Lima Barreto e podemos considerá-la uma grande obra literária, condensa em si muitas das características que consagraram seu autor como o melhor de seu tempo. Registra as transformações sociais em uma época de início da República. Mais precisamente o governo de Floriano Peixoto, onde faz duras críticas (1891 - 1894).
Se formos estudar o dialogismo de Bakhtin em Triste Fim de Policarpo Quaresma, veremos muito da pluridiscursividade em vários dos temas abordados, como as variações geográficas, sexualidade, classes sociais, artes, conflitos internos, a valorização da modinha. Por ser um romance polifônico, pois contém as vozes das variadas classes sociais, Lima Barreto utiliza-se de uma infinidade de tipos para mostrar as tensões pela qual passaram esta geração. Quebra conceitos positivistas republicanos como “Ordem e Progresso”, da Bandeira Nacional , quando apresenta o hospício questionando a sanidade e a loucura, a ordem e o silêncio do interior do hospício é um exemplo claro da pluridiscursividade do discurso de Lima Barreto, por isso Policarpo é apresentado ironicamente, no início, mas ao longo da narrativa, vai crescendo e seu idealismo não é completamente rejeitado. Parodiando o nacionalismo ingênuo, fanatizante e xenófobo do romantismo o Major Policarpo Quaresma, apavorado com a descaracterização da cultura e da sociedade brasileira, modelada em valores europeus inicia o que os primeiros modernistas apresentaram: a valorização do nacional e revela uma nova consciência das questões nacionais além de preparar um caminho para os primeiros debates. Marca um divisor entre as obras literárias do século XIX e as do século XX




Se quiser fazer a leitura da obra acesse o link:
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/quaresma.html

quinta-feira, 10 de abril de 2008

RAMBO IV


Gostei de rever o Rambo! Sem dúvida foi o mais violento de todos e talvez o mais violento que já assisti! Mas era o que eu esperava mesmo! Stalone consegue ser ele mesmo sem se importar para críticas e prêmios, sempre os mesmos clichês de que os outros são maus e eles são os heróis salvadores do mundo, e daí? Tem quem goste... E ele sabe disto.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cartilha: O Uso Responsável da Internet

Ótimo vídeo com dicas sobre o uso correto da Internet pelas crianças:

Vi esta dica no espaço : http://internetmaissegura.blogspot.com/

terça-feira, 8 de abril de 2008

Ennio Morricone : O Gênio da Música

O grande precursor da música western italiana, conhecido com Il maestro. Morricone traçou um estilo próprio para compor a música, com a utilização de assovios melódicos, corais estranhos, flauta e guitarra. Recebeu 41 prêmios pelo seu trabalho. Soube como ninguém misturar e fundir a música com o cinema de uma maneira simplesmente perfeita, como exemplo disso no filme Nuovo cinema Paradiso e em Três Homens em Conflito, e estampou suas trilhas sonoras em mais de 400 filmes e produções televisivas. Produzia estas trilhas sonoras para o faroeste feito na Itália que teve início na década de 60, quando a indústria cinematográfica daquele país resolveu faturar com um gênero já consagrado mundialmente e que há décadas vinha sendo produzido nos EUA. Surpreendentemente, essa visão européia do velho oeste revelou-se bem mais crua e verdadeira que a dos filmes americanos, nos quais os heróis, limpos e barbeados, eram exemplos de virtude. Graças ao padrão estabelecido pelos primeiros diretores italianos que se aventuraram no gênero, as tramas se desenvolviam de maneira mais direta, com um clima sombrio e tendo a vingança como temática principal. O mocinho era quase sempre sujo, mal vestido, com motivações misteriosas e poucos escrúpulos. Desta forma, o fedorento ia enfrentando vilões protegidos por um exército de bandoleiros, em cidades imundas e hostis. Este novo enfoque estimulou os compositores italianos a fugir da pompa e das grandes orquestras.
Vejam e principalmente, ouçam.Um bálsamo para o espírito, que dedico a todos os meus queridos amigos.
Doces recordações de um som.
Chega o duelo final. Coloque o som no máximo e veja. Preste muita atenção nos planos de filmagem. Sinta a angústia derradeira. E vibre!


Três Homens em Conflito

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vestibular em foco

Vídeo muito bom sobre o estudo da obra "Vidas Secas ", de Graciliano Ramos em uma visão multidisciplinar.

domingo, 6 de abril de 2008

Tapinha não Dói - Paranóia ou Mistificação?

Em primeiro lugar temos que decidir: a música “Tapinha Não Dói” estaríamos falando de arte ou não? E se for arte, portanto estaríamos vendo a historicamente odiosa repressão aos artistas?

Não quero aqui defender esta música, pois inclusive tenho sérias restrições à estética do “Funk”, mas quando Monteiro Lobato produziu uma crítica conceituando o artista como sendo de duas espécies: Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro.
Criticava Anita Malfatti pela sua arte inspirada nos futuristas, cubistas e impressionistas da época. Mal sabia ele, que também, mais tarde seria estudado e classificado esteticamente ao lado da pintora ao escrever “Urupês”, e criar a figura do “Jeca Tatu”. Ele também estava imbuído das idéias modernistas da época e deixou-se influenciar pelo que via ao seu redor e acabou fazendo de sua arte a concretização de suas emoções estéticas.
Não sou crítica de arte, apenas uma professora de Literatura, a música julgada também não me agrada, porém reconheço a força estética da violência na arte brasileira contemporânea, ao menos na literatura. Obras recentes como “Cidade de Deus”, “Carandiru”, a premiação de “Tropa de Elite”.
Definir arte é impossível, como atesta François Werren: ninguém sabe o que é arte. Evidentemente não seria numa ação judicial que se encontraria essa definição.
Segundo Bérgson, cabe ao artista captar a realidade, pois sendo ele mais sensível enxerga o que outros não vêem. Eis a função da arte: captar a realidade humana de maneira que as ciências jamais conseguiriam, e agradar ou não as pessoas. A arte contemporânea não poucas vezes choca fortemente as pessoas. E a estética da violência não está somente nos funks brasileiros. Estão nos filmes americanos, nos livros, letras de músicas, raps, rocks e muitas destas sem o tom de humor do funk “Tapinha não dói”, mas tudo isso ocorre sem que haja censura econômica em que a jurisprudência mostrou. O grande problema é que a realidade atual é de violência.
Por melhor que sejam as intenções dos autores da ação e do julgador procurando manter os altos valores, estão fazendo o que a história de injustiças nos conta: veja a prisão de Oscar Wilde por homossexualismo, O julgamento de Goethe, em Madame Bovary, os que incendiaram Giordano Bruno, os que queriam a solução final para os judeus, os homens de Stalin ao mandarem os “traidores” aos Gulags e aos pelotões de fuzilamento.
O que nos choca, na realidade, é ver uma crescente censura maculando a tradição de liberdade de expressão enraizada como direito do povo brasileiro.

Crítica completa: Paranóia ou Mistificação? Monteiro Lobato.

sábado, 5 de abril de 2008

Conscientização aos motoristas

Essa propaganda foi feita pois 30% das mortes, de 1994 até 2005, nas rodovias aconteceram por não respeitarem o limite de velocidade.Comercial bem forte para conscientizar motoristas a respeitarem o limite de velocidade nas rodovias na Irlanda.

Estamos precisando de um desses por aqui. É um tapa na cara de quem gosta de dirigir rápido.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Rebecca - A Mulher Inesquecível (1940)


Considero este filme a obra-prima de Hitchcock.
Interpretada por Joe Fontaine, protagoniza uma simples acompanhante. Conhece e se casa com um rico nobre inglês, chamado 'de Winter' nada mais, nada menos que (Laurence Olivier), do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes”. Quando vai morar na mansão de seu esposo, e que agora também será dela, descobre que ele é viúvo de uma mulher, amada e admirada por todos da região e morta de forma trágica. Gradativamente, ela se vê à sombra da antiga esposa, tendo que se vestir igual a ela, ter os mesmos hábitos e tudo mais. Tudo controlado pela sinistra Sra. Denvers, que mais parecia um fantasma na história.
A submissão de nossa protagonista ao novo mundo em seu redor era tanta que nem um nome fixo ela possui. Era conhecida apenas como a Senhora de Winter, exatamente como a outra esposa era chamada. O filme foi premiado com a estatueta de Melhor Filme naquele ano.
O filme inicia-se na Europa em que somos apresentados a dois personagens distintos: um homem rico que atende pelo nome de “DeWinter”, e uma dama de companhia, uma história de amor é desenvolvida. Tudo acontece de uma forma inesperada para ela, que não tem idéia alguma sobre com quem está se casando. O casal chega em “Maderlay”, mansão de “Winter” e a vida de casado começa, mas como viver em uma casa assombrada pelo fantasma da ex-esposa do marido? O filme é riquíssimo em todos os aspectos, vai da construção dos personagens, dando um destaque para a governanta, extremamente desagradável, aparecendo e desaparecendo de repente dos lugares e caminhando com seu vestido preto até o chão, parecendo um fantasma. A atriz “Judith Anderson” protagoniza vários dos melhores momentos do filme. O filme ainda conta com uma direção de arte incrível com um cenário tenso e assustador. “Hitchcock” inova em seu filme de estréia nos EUA e prova porque é chamado de mestre do suspense. Ele inova uma vez ao manter a trama amarrada em apenas uma reviravolta, ele inova outra vez em fazer um filme em que a grande protagonista( Rebecca), não aparece em sequer uma cena. “Hitchcock” fez muitos filmes bons após este, mas superar “Rebecca” ele só conseguiria 14 anos depois com “Janela Indiscreta”.
Interessante notar que após esta produção muitas outras saíram. Uma foi a novela da rede globo “A Sucessora”, protagonizada por Suzana Vieira, com um enredo muito parecido com Rebecca. Já havia percebido em muitas novelas, não só da Globo, como os escritores baseiam-se em filmes antigos para criarem tramas espetaculares. Talvez imaginem que só eles vêem estes filmes antigos, preto e branco. Esquecem-se de que existem cinéfilas, como eu, apaixonadas por estes clássicos incomparáveis.
Minha cena favorita deste grande clássico, a atual esposa descobre o quarto de Rebecca, ainda intacto, entra a terrível governanta e a humilha , quando mostra toda opulência que Rebecca mantinha em seus ármários, fazendo-a perceber a diferença entre ambas e a superioridade de Rebecca e o quanto era impossível substituí-la. Esta cena, quando assisti pela primeira vez impressionou-me muito, assombrou-me como uma menina pequena. Agora, compreendo como é perturbador substituir alguém, ou ser substituída... A personalidade tóxica de Rebecca que enche o ar e a obsessiva governanta que menosprezava a coitada o tempo todo.
Este filme é perfeito: os atores, a música, a fotografia, o suspense… Tudo é perfeito.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Literatura comercial


Sofro de um problema que eu denomino nostalgia intelectual. Nem gosto de comentar muito sobre isto para não ser tachada de arrogante. Não me orgulho disto e estou tentando me curar. O principal sintoma é não aceitar nada de 1960 para cá. E isto vale também para muitas obras pedagógicas e de estudos literários. Torço o nariz para toda arte que passa desta data. Salvo alguns poucos (que nem quero citar). Assim, vivo dizendo “antigamente era melhor” e em conseqüência, nem acabo conhecendo, TALVEZ, algo de bom que estejam produzindo. Nunca é tarde para mudar, ainda me curo...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Estética e cultura Nazista


A imagem do exército alemão já veiculado para a sociedade germânica, na qual este é reconhecido pelos seus valores dos quais é representado é transformado no orgulho do símbolo floresta-exército. Assim ela cria tomadas aonde o preto e branco, brilho e sombras, são usadas em alto contraste, um recurso de criação de significados que marca a cena do filme.