quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O Uso da Música Clássica em Filmes e outros Eventos

O uso da música erudita em filmes contribui para popularizar a música clássica? O que deveríamos dizer ao rei bávaro Ludwig II, se estivesse vivo, sobre a Disney ter copiado seu Neuschwanstein, feito por ele em honra às óperas de Richard Wagner, para fazer o lar da Cinderela? Fazer o quê?Depois da obra publicada não tem jeito. O criador, que até então era senhor absoluto, vê, indefeso, sua criação escapar-lhe por entre os dedos.Outro caso alemão, o mais célebre por sinal, é o da 9a Sinfonia de Beethoven. O gênio a compôs quando já estava completamente surdo e nem desconfiava sobre para quais fins ela seria usada. Pois em 1942 Josep Goebels, o ministro da propaganda de Hitler, escolheu a Nona como trilha sonora da superioridade ariana. Outra obra de Beethoven, a famosíssima 5a Sinfonia, é muito usada pelo cinema, pela publicidade e pelo teatro para dar um ar de suspense. A bela atriz Bo Derek correu como nenhuma outra pela praia no filme "Uma mulher nota 10" (Ten, 1979, EUA) ao som de "O Bolero" (1928) de Ravel. Outra obra que se tornou bastante conhecida por ter sido tema de um filme, neste caso o "Fantasma da Ópera" (The Phanton of the Opera,1925) com Lon Chaney e baseado na obra de Gaston Leroux , foi "Toccata e Fuga em D menor" do organista e compositor barroco Johann Sebastian Bach. Muito hilária é a cena do barbeiro judeu interpretado por Charles Chaplin barbeando um cliente no mesmo ritmo da Dança Húngara, n 5 de Brahms numa cena de "O Grande Ditador" (The Great Dictator, 1941, EUA).O caso mais interessante da popularização da música clássica é "Assim falou Zaratustra" (Also sprach Zarathustra, 1896) do compositor e maestro alemão Richard Strauss, inspirado numa obra homônima (escrita entre 1883 e 1885) de seu compatriota o filósofo Friedrich Nietzsche, a qual pondera as idéias do "eterno retorno" e da futura vitória do "super-homem" sobre a moral cristã. Esta música foi usada pelo diretor Stanley Kubrick como tema para"2001-Uma Odisséia no Espaço" . Nele também foi usado um trecho da valsa "Danúbio Azul" (1867) do compositor, violinista e maestro austríaco Johann Strauss, filho. Sem parentesco com Richard. "Assim falou Zaratustra", da mesma forma que a Nona Sinfonia, é amplamente usada só que em vez de o público associa-la ao seu compositor, como no caso de Beethoven, o filme de Kubrick é que vem às mentes das pessoas. Talvez seja por isso que o Banco Itaú, há algum tempo, usou-a como trilha sonora de um comercial de TV. O banco queria estar associado ao futuro. É interessante ver uma música erudita e já com mais de cem anos simbolizando hoje o futuro que ainda está por vir. A propósito, Stanley Kubrick também recorreu aos clássicos ao usar a 9a Sinfonia em seu filme "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange,1971, EUA). Há casos brasileiros; quem não se lembra do comercial dos desodorantes Vinólia usando sempre "A Primavera" (de "As Quatro Estações"), obra de Vivaldi. Mas o caso mais interessante, não para muitos ouvintes e os donos de emissoras de rádio, é a abertura (protofonia) da ópera "O Guarani" de Carlos Gomes. A história de Peri e Ceci do romance de José de Alencar é diariamente usada como prefixo pela Voz do Brasil. Pois é...aquela música que antecede o desligamento do rádio é um, se não o, maior sucesso da musica clássica brasileira em todo o mundo. A maioria das pessoas tendem a ver a música clássica como sendo elitista. Pois, criou-se o pensamento de que é preciso ser especialista para poder ouvi-la. E isso é terrível.Isso tudo é compreensível, afinal "clássico" vem do latim, classicus, e significa "de primeira classe". E tudo o que permanece pela qualidade, originalidade e universalidade. Com a passagem do tempo continuam agradando, surpreendendo, emocionando. Vivem retornando e sendo ajustados a novas realidades. Como disse o poeta romano Janus Vitalis (1485-c.1560) na sua célebre epigrama "De Roma" (Sobre Roma): "Disce hinc quid possit fortuna: immota labascunt,/ Et quae perpetuo sunt agitata manent", isto é, "Assim age a Fortuna: o que há de firme passa/ e o que sempre se move permanece".
Fonte: baseado no artigo de Adriano Medeiros Costa.


Cena Preciosa:

6 comentários:

Rodrigo Fernandes disse...

mutio bom o post... é interessante como a musica classica está tão repsenta em nossas vidas, nos emociona e de certa maneira não é popular... lembro de tom e jerry, tudo com musica classica, incrivel, fascinante...rs...
ainda não vi esse fime do Chaplin, adoro ele...acabeid e ver o belissimo 'o grande ditador' fantastico e me lembrou a cena da barbearia, jáq eu ele tbm no filme é um barbeiro judeu...
beijos

Miriam disse...

Obrigada, Rodrigo por sempre estar presente aqui no meu blog. Que bom que gostou do post.Fiquei pensando em filmes que utilizaram músicas clássicas e lembrei-me de outro. O que acabou transformando-se em uma idéia para outro post. Apocalypse Now, Copola utiliza a ópera de Vagner. É uma cena impressionante.

Rodrigo Fernandes disse...

Ainda não assiti ao Apocalypse Now... esse fato já é inadimicível para um cinéfilo... mas ainda mais inadimicível é o fato de eu ter esse DVD em casa, comprei ano passado e ainda não o assisti, pode? hehehe
Mais fantástica lembrança e com certeza irá resultar em um outro excelente post...
beijos

pipoka disse...

Mae, seu blog esta otimo, mto legal este post, mas eu acho bom os filmes colocarem obras clássicas em suas cenas, pois qualquer forma de divulgar os clássicos é positivo, sendo em desenhos ou em filmes. É um modo de introduzir a várias pessoas, fazendo com que elas sempre tenham uma ideia positiva da musica clássica, mesmo sendo a associativa com uma cena de desenho, como ocorre nos desenhos da Disney, como o Fantasia.

Bjos e estou adorando

Anônimo disse...

Por que nao:)

mario disse...

Existe um filme italiano que eu gostaria de saber se alguém lembra o título, que mostra de uma forma sensacional a orquestra e a música erudita sendo utilizada em um filme. Se não me engano é uma obra italiana e lembro de uma cena do filme onde o personagem é advertido que a idéia que ele tinha para fazer o filme já havia sido feita por um tal de Walt Disney e ele ironiza de uma forma magistral a produção de Fantasia como uma obra meramente de consumo. Se alguém lembrar do título, favor me falar. Mario.