domingo, 21 de setembro de 2008

Ilíada e Odisséia: a saga do conflito

O filme Tróia teve por base uma mescla das obras Ilíada e Odisséia, que reúnem uma série de histórias e mitos relacionados à destruição pelos gregos da cidade de Tróia, do qual os dois poemas épicos atribuídos a Homero, formam a principal base. Os pesquisadores da obra dizem que Homero teria vivido por volta do século VIII a.C., não há registros históricos que comprovem os eventuais fatos históricos ocorridos. Na ocasião, as tradições eram transmitidas oralmente, de geração a geração, por cantadores, e estavam sujeitas a todo tipo de alteração que essa categoria de divulgação provoca. Assim, provavelmente, Homero deve ter se baseado em histórias orais, reais ou imaginárias daquela época. A própria figura de Homero é contraditória, pois não há provas de sua existência. O filme Tróia, do diretor Wolfgang Petersen e do roteirista David Benioff, retrata episódios contados nos dois poemas de Homero e reconstruindo o que teria sido a Guerra de Tróia, que teria durado cerca de dez anos,mas a obra registra o último ano, iniciando-se com o rapto de Helena, considerada a mulher mais bela do mundo, esposa do rei Menelau de Esparta. Paris, filho de Príamo, rei de Tróia, apaixonou-se por Helena quando a viu exposta nua, uma tarefa que tinha que fazer toda noite como castigo que seu pai havia lhe imposto. Ela teria sido a causadora da morte de seu irmão e por isto seu pai, que nunca a perdoou ordenara que ela seria cobiçada por todos, mas que nunca ninguém haveria de tocar-lhe. Para defender sua honra, Menelau e seu irmão, Agamenon, rei de Micenas (ou Argos), reúnem forças gregas de diversos reinos para resgatar Helena em uma ação contra Tróia, que é chamada de Ilion na história narrada por Homero (daí o nome Ilíada). A Ilíada trata da chamada cólera de Aquiles, principal personagem da história, maior guerreiro grego que acaba se desentendendo com Agamenon, o chamado rei dos reis, líder dos gregos na campanha contra Tróia, durante o período que situa-se na virada do nono para o décimo ano da guerra. Aquiles decide deixar os combates após ter uma de suas escravas, Briseida, sua preferida, tomada de seu poder por Agamenon. Como nas guerras da época o saque das cidades dominadas era comum e os bens dessa comunidade eram divididos entre os vencedores, assim como as mulheres e crianças e velhos sobreviventes, que se tornavam escravos, a pilhagem era também um motor das guerras.
Em uma das batalhas na campanha grega, Agamenon havia tomado como sua escrava Criseida, filha de Crisis, apóstolo de Apolo (divindade solar na tradição grega). Por esta razão, Apolo teria provocado uma praga entre os soldados gregos. Para abrandar a fúria de Apolo, Aquiles sugere a libertação de Criseida e sua devolução a seu pai. Agamenon aceita, mas para compensar sua perda, exige a escrava Briseida de Aquiles. Após Agamenon se apossar da mulher, Aquiles se revolta e deixa a guerra, junto com seus homens leais. O grande problema é que Aquiles era o grande guerreiro entre os gregos, a ponto de sua ausência provocar importantes revezes nos combates com os troianos, estes protegidos por uma grande fortificação em torno da cidade. Aquiles é um semideus (ou herói), isto é, filho de uma deusa (Tétis) com um humano (Peleu). Apesar dessa ascendência, trata-se de um mortal. Na Ilíada, em um encontro com sua mãe, Aquiles é alertado de que se prosseguir na guerra, não voltará jamais. Porém, Pátroclo, grande amigo de Aquiles, a pedido de Agamenon, tenta convencer Aquiles a voltar aos combates, devido ao abatimento do exército. Contudo, ele não consegue convercer Aquiles da idéia de manter-se afastado. Pátroclo acaba pedindo a armadura e as armas de Aquiles para que seja confundido com o herói e lidere os gregos contra os troianos. Porém, Pátroclo acaba sendo morto por Heitor, irmão de Paris, tido como um grande guerreiro. Após saber da morte de Pátroclo por Heitor, Aquiles decide vingar-se e volta ao campo de batalha. Ele se enfrenta em duelo com Heitor e mata seu oponente troiano. O último canto da Ilíada narra o episódio de Príamo se dirigindo a Aquiles para resgatar o corpo de Heitor e realizar seus funerais.
No filme Tróia, são incluídas algumas passagens da Odisséia, que é considerado um poema posterior à Ilíada e que narra as aventuras do herói Odisseu (Ulisses, segundo a tradição latina) em seu retorno da Guerra de Tróia para sua cidade, Ítaca.
Uma das passagens da Odisséia é a história do cavalo de Tróia, em que os heróis gregos, liderados por Odisseu, constroem um grande cavalo de madeira e o deixam como oferenda aos troianos, em sinal de uma suposta capitulação aos combates. No entanto, guerreiros gregos liderados por Odisseu se escondem dentro do cavalo e, na noite após o cavalo ser levada para dentro dos muros de Tróia, saem do cavalo e conseguem abrir os portões da cidade para que as tropas gregas a destruam. Esse trecho da Odisséia é também reproduzido pelo filme estrelado por Brad Pitt, que vive justamente Aquiles na história. O filme reproduz a história toda, desde o rapto de Helena até a destruição de Tróia. Além da mesclagem de histórias contadas nos dois poemas, o filme inclui ainda cenas editadas com "liberdade poética" que não são narradas por Homero. Há também uma grande influência da literatura posterior a Homero que desenvolve e dá seqüência a histórias e mitos inicialmente apresentados pelo autor. O filme Tróia trouxe uma boa reprodução da epopéia e seria interessante uma continuação sobre a volta de Ulisses, que segundo Carlos Alberto Nunes, tradutor desta edição em que me baseio, é uma obra que conta com maior número de leitores que Ilíada. Chegando mesmo a afirmar que a Odisséia fora escrita para mulhres e Ilíada para homens.Na Odisséia, a guerra de Tróia já pertence ao passado, sendo uma narrativa de retorno de Ulisses que atraiu para si maior número de elementos, da lenda, do folclore, de diferentes origens, chegando a rivalizar com a Ilíada. Mas a idéia central da epopéia não fica prejudicada com as narrativas secundárias, pelo contrário , ajudam nosso herói a atingir sua meta: reconquistar seu palácio e a afeição da esposa.Vinte anos se passaram e Penélope não perde a esperança de que o esposo regresse. A Odisséia termina no verso 296 do canto XXIII, em que se conta como Ulisses e Penélope voltaram a unir-se em seu velho leito, depois de longa separação.
É uma obra genial, cujo fascínio só tem aumentado com os séculos, parecendo que o tempo não conta para a sua duração. Como as pirâmides, como a música de Beethoven, o retrato de Mona Lisa, inclui-se a Odisséia entre as criações eternas.
Assista ao trailer do filme Tróia:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
HOMERO. Ilíada. 3ª edição; trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1960.
________. Odisséia. 3ª edição; trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1960.

3 comentários:

Pedro Henrique disse...

Eu não gosto de Tróia e nem conheço a Odisséia, de Homero. Mas tem um filme (excelente, por sinal) dos irmãos Coen, "E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?", que é baseado na Odisséia. Deixo a dica pra você, Miriam. Abraço!

Jacques disse...

Miriam, apesar de possuir "Tróia" não curti muito, talvez por possuir muitos erros "mitológicos".Respondi ao seu Meme la no meu blog. Beijos.

Miriam disse...

Vou procurar por este filme, Pedro Henrique. Realmente há uns equivocos no filme, mas mesmo assim vale a pena ver porque ler o livro não é tarefa fácil, principalmente em versos.
Beijos.