domingo, 23 de novembro de 2008

SÃO BERNARDO- Graciliano Ramos


Paulo Honório foi abandonado pelo pai, criado por uma negra, a doceira Margarida, aos dezoito anos, tem a primeira experiência sexual, de que decorre a primeira violência: esfaqueia João Fagundes, quando este se engraça com Germana, a "cabritinha sarará" que possuiu.Neste tempo, já pensava em ganhar dinheiro, sendo que trabalhos na enxada até então, dentre outros lugares em São Bernardo, onde permanecera no eito e de que desejava se tornar senhor.Emprestando dinheiro a juros, negociando no sertão, passando fome e sede, Paulo Honório acumula algum capital e com ele volta à sua terra, município de Viçosa, Alagoas. Aí ficava a fazenda de São Bernardo, cujo novo dono, Luis Padilha - filho do falecido patrão de Paulo, Salustiano Padilha - é beberrão, mulherengo e incompetente. Aproxima-se então de Padilha com o propósito calculado de tirar-lhe a propriedade. Consegue ter êxito fazendo-se seu amigo, emprestando-lhe dinheiro, dando-lhe maus conselhos sobre o cultivo da fazenda. Quando vence a ultima letra que Padilha devia a Paulo, dirige-se a São Bernardo (fazenda) e praticamente rouba a propriedade de Padilha, que, arruinado, acaba por vendê-la a preço irrisório. Com violência e determinação, Paulo Honório, começa a reconstruir a fazenda. Através do Capanga Casemiro Lopes, assassina o velho Mendonça, da propriedade vizinha. Invade os domínios vizinhos, compra maquinas, empresta dinheiro de bancos, comete grandes e pequenas violências, ganha causas no fórum graças a trapaças de João Nogueira, o advogado que o protegia.Além do capanga e do advogado, Paulo Honório contava com o jornalista Gondim, com o Padre Silvestre e com os políticos da terra, que manejava de acordo com os seus interesses, a fim de vencer. Reconstruída a casa, iniciada a pomicultura, a avicultura, a plantação de algodão, e Paulo Honório resolve-se casar-se.Conhece Madalena, a professora da Vila, e simpatiza com ela. na mesma determinação, no mesmo pragmatismo com que conseguiu a posse e o progresso de São Bernardo, consegue desposá-la. Madalena muda-se para a fazenda em companhia da tia Glória.A vida de Paulo Honório modifica-se a partir dai num processo lento, mas fatal de ruína: Madalena, humanitária e esclarecida, interfere em sua rotina de domínio e de exploração. Ajuda os empregados e melhora a situação da escola que Paulo Honório construíra na fazenda apenas para "agradar"o governador (cujo o professor era Luis Padilha, o antigo dono da São Bernardo). Trabalha com o guarda-livros, o seu Ribeiro, mostrando uma conduta que Paulo considerava inadequada às mulheres: comunista e intelectual. As brigas entre Madalena e Paulo Honório continuam desde o casamento. Isso por causa da generosidade de Madalena e da violência de Paulo Honório.Madalena não resiste aos maus tratos do marido e suicida-se. Com a sua morte Paulo Honório vai perdendo outras pessoas: D. Glória, seu Ribeiro, o Padilha, e também a obsessão de produzir e ganhar dinheiro.A revolução de 30 dificulta-lhe os negócios e ele não reage. São Bernardo fenece sob os olhos indiferentes do proprietário, que começa então a sentir a derrota de sua antiga imponência: a presença de Madalena perseguindo-o, denunciando a coisificação estúpida que imprimiu em tudo de que se aproximou.Através de lá, a quem a amava, sem conhecer esse sentimento, Paulo Honório compreende o "aleijão" que se tornara. Deformado pela profissão, que o afastou das pessoas e das relações humanas, substituindo-as por relações de posse, de domínio, de poder. Ele reconhece a própria monstruosidade.Impotente para se transformar, sem ter simpatia pelos infelizes que o rodeiam, inclusive pelo filho de três anos, desconfiado de tudo e de todos, Paulo Honório amarga a solidão e isolamento escrevendo um romance e buscando, assim , o sentido da sua vida. São Bernardo de Graciliano Ramos.

Análise:

PERSONAGENS:
Paulo Honório: um dos protagonista da obra, é um capitalista tacanho, ou seja o homem que faz por si mesmo;
Madalena: a outra protagonista, delicada e instruída;
Luis Padilha: proprietário do São Bernardo, filho do ex-patrão de Paulo Honório;
D. Gloria: tia de Madalena;
Casemiro:capanga que ajudou Paulo a matar Mendonça, o velho da fazenda ao lado;
João Nogueira:o advogado;
Ribeiro:o guarda-livros;
Silvestre:o padre;
Gondim:o jornalista;
O social e o psicológico se encontram em São Bernardo para criar uma obra de profunda análise das relações humanas. Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma grande necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial.

2 comentários:

Ricardo Soares disse...

bela lembrança lembrar esse livro... ótimo domingo pra vc
bj

Ygor Moretti Fiorante disse...

Honestamente so li Vidas Secas do Graciliano, mas ja posos dizer como um dos meus escritores favoritos, pois a sua concisão, sua clareza e sua expressividade utilizadno poucas palavras é um caso raro na literatura.

To com Memórias do Carcere engatilahdo rsss Mas São Bernardo parece ser uma ótima opção.

Abraçoe te mais.