Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Caolha, de Júlia Lopes de Almeida

Da obra de Júlia Lopes de Almeida o que eu mais gosto é este conto. A temática da gratidão filial e da maternidade seria o centro da narrativa. Ao apresentar a personagem, no início do conto, descrevendo-a como um ser feio e repulsivo – a exemplo do Quasímodo, personagem de O Corcundade Notre Dame, de Victor Hugo, que também apresenta o “Grotesco e o Sublime”, tendo por base um personagem representativo do hibridismo: a besta de alma humana –, Júlia Lopes de Almeida vai desconstruindo a monstruosidade física da personagem pela sua alma pura, honesta, submissa e dedicada. Até aqui, uma narrativa tipicamente romântica, nos moldes de Victor Hugo. Mas a narrativa não termina aí. A sublimidade da mãe imperfeita não se perde em aceitar a ingratidão do filho. É a sua ação final que explica a importância descritiva e inicial: suas mãos magras e ossudas, do começo do conto, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho, são capazes, no final, de erguerem-se altivas, apontando ao filho, com energia, a porta da rua; a resignação de quem nada fala, no início do conto, ao final, revela-se contrariamente, pois a caolha toma fôlego para as verdadeiras e amargas palavras. A atitude da mãe, então, se faz jus a uma missão de educadora, revela, também, a proposta de Júlia Lopes de Almeida, advogando à mulher um papel mais eficiente e participativo na educação dos filhos. Aquela mulher disforme, do início do conto, revela-se como aquela que, realmente, consegue “ver”. Físico e psíquico; exterior e interior; aparência e essência compõem as oposições semânticas que vão sendo construídas e entrelaçadas ao longo da narrativa. Concomitantemente, o retrato da mãe é composto fisicamente, o retrato do filho é desvelado ao leitor, através de suas ações.
No conto, é através do olhar que as personagens verdadeiramente “falam”: o olhar social aproxima e afasta, integra e desintegra, aceita e rejeita. Na verdade, através da descrição inicial da caolha , Júlia Lopes de Almeida forjou um álibi para desvendar outros assuntos que, contextualmente, foram tocados, mesmo que de maneira branda e exemplar, não fez o papel de trombeta revolucionária do feminismo, mas pela via da linguagem, inovou em relação à forma como a mulher poderia “agir” escrevendo.
Sagazmente, através de temas tidos de domínio feminino, introduziu uma nota de discordância e questionamento, permitindo assim, a mulher brasileira da época, “olhar-se” como sujeito cultural e social.
REFERÊNCIA
MORICONI, Itálo.Cem Melhores Contos Brasileiros do Século.
O conto interpretado pela divina Marília Pera - TV Cultura:

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan


O vampiro de Curitiba talvez seja o livro mais conhecido de Dalton Trevisan. Dedicando-se exclusivamente ao conto, Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra.Cria uma atmosfera de suspense em torno de seu nome que o transforma num enigmático personagem. Não cede o número do telefone, assina apenas "D. Trevis" e não recebe visitas - nem mesmo de artistas consagrados. Enclausura-se em casa de tal forma que mereceu o apelido de O Vampiro de Curitiba, título de um de seus livros. Mestre na arte do conto curto e cruel, é criador de uma espécie de mitologia de sua cidade natal, Curitiba. O vampiro de Curitiba teve seus contos lidos na Rádio Educativa, nas leituras dramáticas e em oficinas. São pequeníssimos textos: leves, românticos, eróticos, existenciais... Mas tudo sempre inteligente e recheado de humor - às vezes negro.O vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan. Escrito assim, pode ser tanto o nome de um livro, seguido de seu autor, quanto uma explicação. O autor guarda informalmente o codinome de vampiro desde 1965, quando publicou o metafórico O vampiro de Curitiba. Desde então, o escritor paranaense alimenta a lenda em torno da própria figura envolta pelo mistério da reclusão. No conto que batiza essa coletânea, ele auto-ironiza sua estranha maneira de "promoção delirante", mas não é pela mania de viver escondido que o leitor se sente sugado pelas mini-histórias.Não deixa de ser um de seus principais personagens; recluso em sua vida pessoal a ponto de ser conhecido pela alcunha de um de seus livros - O Vampiro de Curitiba. Um livro que se quer como novela, mas que cada unidade tem autonomia em relação às outras, e que inaugura uma .poética do vampirismo. As ações não ultrapassam as fronteiras que as separam, podendo ser lido como um livro de contos. O herói e sua tara, que na primeira parte revela a sua maldição: é obcecado por fêmeas, servem como elemento aglutinador destas narrativas. Não há descrições detalhadas. É o próprio personagem que se revela ao leitor ao revelar sua tara. Atormentado pelo desejo carnal, o herói se dilacera na busca constante do outro.

Foco Narrativo

Apenas os contos O Vampiro de Curitiba e O herói perdido são escritos em 1ª pessoa.

Espaço

Alguns contos têm como cenário a cidade de Curitiba. No conto Visita à professora, o espaço mencionado é São Paulo. O narrador menciona lojas, ruas, igrejas, botequim.

Tempo

Não há flashbacks; Nelsinho tem idade diferente nos contos; os contos não estão em ordem cronológica.

Linguagem

linguagem coloquial, com termos vulgares (“grande cadela”); presença de diminutivos (safadinha, taradinha, casadinha); frases incompletas, mas de fácil compreensão (“Ai, eu morro só de olhar para ela, imagine então se.”); predomínio do discurso direto nos contos “Contos dos bosques de Curitiba” e, principalmente, “Arara bêbada”.

Intertextualidade Bíblica

Conto “A noite da paixão”: “terei de beber, ó Senhor, deste cálice?”; “Que se faça tua vontade, Senhor, e não a minha”; “Está consumado”.

Personagem

Nelsinho é o protagonista de todos os contos. Ao longo do livro, Nelsinho percorre uma via crucis, com o objetivo de saciar-se sexualmente com as belas mulheres que encontra nas ruas de Curitiba. Tarado insaciável, voyeur incontido, "não quero do mundo mais que duas ou três só para mim". É a normalista, a garotinha de família, a professora, nenhuma foge ao fervor de Nelsinho, que, ora bem-sucedido ora nem tanto, vai deixando, nas ruas corrompidas de Curitiba, as marcas em suas vítimas singelas, repletas de ingenuidade e - simultaneamente - de morbidez.

Enredo

Seus contos, quase todos ambientados em sua cidade natal - Curitiba - são impregnados de suspenses e enigmas. Em relatos breves, o autor revela o cotidiano da degradação humana em uma linguagem direta. O Vampiro de Curitiba nos leva ao dia-a-dia de Nelsinho, o vampiro literário personagem dos quinze contos do livro. Um curitibano que segue e assedia velhinhas, senhoras respeitáveis, virgens e prostitutas, agoniado e indeciso entre aquela que “molha o lábio com a ponta da língua para ficar mais excitante”, a viúva toda de preto com joelho “redondinho de curva mais doce que o pêssego maduro”, a “casadinha” que vai às compras e a normalista.Nelsinho é o personagem que transita por todos os contos, dando unidade ao livro. Obcecado por sexo, ele vagueia pela provinciana Curitiba atrás de suas vítimas, enquanto aos olhos do leitor vai se abrindo o quadro de uma cidade decaída. Cidade em que se esconde um vampiro no fundo de cada "filho de família", conforme ironiza o protagonista do livro. Curitiba, esquadrinhada por Nelsinho, que primeiro se vê seduzido pelos braços e pernas de uma sensual garota de outdoor - ou de uma virgem? - e, ao cabo, precipita-se para o círculo infernal mais baixo, para o quarto de um bordel ao lado de uma velha prostituta banguela. Ele é o próprio Drácula nivelado à cidade degradada sob as vestes do cafajeste brasileiro. Nelsinho, assim como o vampiro, é presa da repetição infindável dos seus atos e de sua obsessão, que agravam sua solidão: "Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho".

domingo, 23 de novembro de 2008

SÃO BERNARDO- Graciliano Ramos


Paulo Honório foi abandonado pelo pai, criado por uma negra, a doceira Margarida, aos dezoito anos, tem a primeira experiência sexual, de que decorre a primeira violência: esfaqueia João Fagundes, quando este se engraça com Germana, a "cabritinha sarará" que possuiu.Neste tempo, já pensava em ganhar dinheiro, sendo que trabalhos na enxada até então, dentre outros lugares em São Bernardo, onde permanecera no eito e de que desejava se tornar senhor.Emprestando dinheiro a juros, negociando no sertão, passando fome e sede, Paulo Honório acumula algum capital e com ele volta à sua terra, município de Viçosa, Alagoas. Aí ficava a fazenda de São Bernardo, cujo novo dono, Luis Padilha - filho do falecido patrão de Paulo, Salustiano Padilha - é beberrão, mulherengo e incompetente. Aproxima-se então de Padilha com o propósito calculado de tirar-lhe a propriedade. Consegue ter êxito fazendo-se seu amigo, emprestando-lhe dinheiro, dando-lhe maus conselhos sobre o cultivo da fazenda. Quando vence a ultima letra que Padilha devia a Paulo, dirige-se a São Bernardo (fazenda) e praticamente rouba a propriedade de Padilha, que, arruinado, acaba por vendê-la a preço irrisório. Com violência e determinação, Paulo Honório, começa a reconstruir a fazenda. Através do Capanga Casemiro Lopes, assassina o velho Mendonça, da propriedade vizinha. Invade os domínios vizinhos, compra maquinas, empresta dinheiro de bancos, comete grandes e pequenas violências, ganha causas no fórum graças a trapaças de João Nogueira, o advogado que o protegia.Além do capanga e do advogado, Paulo Honório contava com o jornalista Gondim, com o Padre Silvestre e com os políticos da terra, que manejava de acordo com os seus interesses, a fim de vencer. Reconstruída a casa, iniciada a pomicultura, a avicultura, a plantação de algodão, e Paulo Honório resolve-se casar-se.Conhece Madalena, a professora da Vila, e simpatiza com ela. na mesma determinação, no mesmo pragmatismo com que conseguiu a posse e o progresso de São Bernardo, consegue desposá-la. Madalena muda-se para a fazenda em companhia da tia Glória.A vida de Paulo Honório modifica-se a partir dai num processo lento, mas fatal de ruína: Madalena, humanitária e esclarecida, interfere em sua rotina de domínio e de exploração. Ajuda os empregados e melhora a situação da escola que Paulo Honório construíra na fazenda apenas para "agradar"o governador (cujo o professor era Luis Padilha, o antigo dono da São Bernardo). Trabalha com o guarda-livros, o seu Ribeiro, mostrando uma conduta que Paulo considerava inadequada às mulheres: comunista e intelectual. As brigas entre Madalena e Paulo Honório continuam desde o casamento. Isso por causa da generosidade de Madalena e da violência de Paulo Honório.Madalena não resiste aos maus tratos do marido e suicida-se. Com a sua morte Paulo Honório vai perdendo outras pessoas: D. Glória, seu Ribeiro, o Padilha, e também a obsessão de produzir e ganhar dinheiro.A revolução de 30 dificulta-lhe os negócios e ele não reage. São Bernardo fenece sob os olhos indiferentes do proprietário, que começa então a sentir a derrota de sua antiga imponência: a presença de Madalena perseguindo-o, denunciando a coisificação estúpida que imprimiu em tudo de que se aproximou.Através de lá, a quem a amava, sem conhecer esse sentimento, Paulo Honório compreende o "aleijão" que se tornara. Deformado pela profissão, que o afastou das pessoas e das relações humanas, substituindo-as por relações de posse, de domínio, de poder. Ele reconhece a própria monstruosidade.Impotente para se transformar, sem ter simpatia pelos infelizes que o rodeiam, inclusive pelo filho de três anos, desconfiado de tudo e de todos, Paulo Honório amarga a solidão e isolamento escrevendo um romance e buscando, assim , o sentido da sua vida. São Bernardo de Graciliano Ramos.

Análise:

PERSONAGENS:
Paulo Honório: um dos protagonista da obra, é um capitalista tacanho, ou seja o homem que faz por si mesmo;
Madalena: a outra protagonista, delicada e instruída;
Luis Padilha: proprietário do São Bernardo, filho do ex-patrão de Paulo Honório;
D. Gloria: tia de Madalena;
Casemiro:capanga que ajudou Paulo a matar Mendonça, o velho da fazenda ao lado;
João Nogueira:o advogado;
Ribeiro:o guarda-livros;
Silvestre:o padre;
Gondim:o jornalista;
O social e o psicológico se encontram em São Bernardo para criar uma obra de profunda análise das relações humanas. Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma grande necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

UMA PEDRA NO MEIO DO CAMINHO


O poema mais polêmico do Brasil completou 80 anos, em julho deste ano. No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade. Em 1967, quando o poema completaria 40 anos, o autor lançou uma biografia do poema, intitulado: “Uma pedra no meio do caminho – biografia de um poema”, com pouca tiragem. Hoje, este livro é encontrado somente em sebos e, a partir de hoje, aqui.O Tribo da leitura presta uma homenagem a este grande poeta e a este poema-enigma, que tanto furor causou na imprensa, desde que foi publicado, pela primeira vez, na Revista de Antropofagia, no auge do modernismo brasileiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A Negação da Morte

Lendo o livro "Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, vi que ele faz referência ao livro: "A negação da Morte", de Ernest Becker. Achei muito interessante, realmente, este tipo de loucura foi bem retratada pelo autor, pena que muitas pessoas não se dão conta disso.
"Os homens são tão necessariamente loucos que, não ser louco, seria uma outra forma de loucura. Necessariamente porque o dualismo existencial torna sua situação impossível, um dilema torturante. Loucos porque tudo que o homem faz em seu mundo simbólico é tentar negar e superar sua sorte grotesca. Literalmente entrega-se a um esquecimento cego através de jogos sociais, truque psicológicos, preocupações pessoais tão distantes da realidade de sua condição que são formas de loucura - loucura assumida, loucura compartilhada, loucura disfarçada e dignificada, mas de qualquer maneira loucura."

Ernest Becker, em A Negação da Morte.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sorôco, sua mãe, sua filha


"Agora, mesmo, a gente só escutava era o acorçôo do canto, das duas, aquela chirimia, que avocava: que era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois”.
João Guimarães Rosa - Sorôco, sua mãe, sua filha

Esta semana, trabalhei com minha turma do terceiro ano do ensino médio, o conto "Sorôco, sua mãe, sua filha", de Guimarães Rosa. Quando estava preparando a aula, já decidi: este conto eu não poderei ler oralmente, pois faz parte de uma série de contos que me deixam muito emocionada. Sendo assim, prefiro evitar sua leitura. Minha voz começa a sumir e de repente vem às lágrimas. Meus alunos já sabem que a grande literatura tem esse poder sobre as pessoas e espero que um dia cada um deles experimente algo parecido.
Nem preciso dizer que este é um dos meus contos favoritos. E gosto dele porque obriga o leitor a (re) valorizar a sensibilidade. Ficar indiferente à canção das duas loucas é simplesmente abandonar o que de mais humano cada um de nós tem. Era necessário que duas "transtornadas pobrezinhas", rumando pra lugar distante (e lição deixada por quem parte é sempre mais significativa), recuperassem um poderoso sentimento de solidariedade e compaixão com o outro - "A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele de verdade. A gente, com ele, ia até onde que ia aquela cantiga".
Todos os dias tenho vontade de "me esquisitar", tal como fez o abrutalhado Sorôco e continuar uma canção sem sentido aparente...
Se quiser ler o conto completo, acesse o link abaixo:

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Os Maias, de Eça de Queiroz


Obra prima do realismo na literatura portuguesa e síntese do talento inovador de Eça de Queiroz, “Os Maias” é o retrato de uma sociedade em busca de sua afirmação. Nesta saga de uma família rica de Lisboa do século XIX, seus personagens vivem as aspirações, os conflitos e as paixões que refletem as forças transformadoras da sociedade em Portugal e no mundo, nessa época. A ironia, o sentimentalismo e a crítica mordaz são algumas das características que os estudiosos identificam como componentes fundamentais da grandiosidade literária de Eça de Queiroz. Grandiosidade que se completa na criação de seus personagens e na construção novelística, e que o aproximam de grandes autores, como Zola e Balzac, na descrição comovente e dramática da vida e da sociedade de seu tempo.
Enredo:
Pedro da Maia casa-se contra a vontade do pai com Maria Monforte, mulher muito bela, a deusa loira, olhos azuis , encarnação de mármore, rompendo as relações familiares. Essa personagem fraca, produto da educação tradicional portuguesa apresenta melancolia nervosa depois da morte da mãe e pode ser considerada o modelo do herói romântico. Todavia, o maior erro de Pedro é o de levar, para dentro da própria casa, o príncipe napolitano, ferido por ele numa caçada. Convalescendo em contato com Maria Monforte e tornando-se íntimo da família, nasce entre eles paixão arrasadora. A desmedida começa a intensificar-se ao nível do trágico, no momento em que Pedro, deseperançado, vai ao Ramalhete, levando o filho bebê, informar ao pai do ocorrido e suicida-se covardemente, porque Monforte abandona-o para lançar-se à vida com um aventureiro. Maria Monforte abandona o lar, o marido, o filho. Dessa maneira, a ocorrência que provoca a confusão de identidade torna-se possível: o incesto é a conseqüência deste ato de Maria Monforte. O adultério põe em xeque a identidade da família, pois, além de fugir do marido e abandonar o filho, ela trai a filha, enganado-a e não lhe revelando a sua verdadeira identidade. Maria Monforte é rejeitada por Afonso da Maia por não ter ascendência nobre, não ter título e ser filha de traficante de escravos. Ela irá defender-se ou vingar-se dessa rejeição. Abandonando o marido, provoca-lhe o suicídio e a ruína da família Maia. Dá primazia ao amor, recusa a riqueza e a nobreza de Pedro, chega ao extremo de viver em estado deplorável e penurioso, mas em tempo algum dirige-se aos Maias para pedir ajuda ou proteção. Afonso exerce o papel de pai do neto Carlos, com participação muito mais ativa. Cuida da educação com presteza na tentativa de reparar o dano anterior. Afonso não usa da franqueza para com o neto e conta falsa história sobre os pais do mesmo. Acredita-se que a maior desmedida de Afonso é a de dar por vencida a busca à neta, quando Alencar descobre que a filha da Monforte está morta e não atenta para o fato de que Maria pudesse ter tido outra filha, além de Maria Eduarda. A procura persistente de Afonso pela neta não teve bons resultados, decorrente do mal entendido motivado pelas informações dadas por Alencar a Vilaça de que a neta de Afonso havia morrido. Afonso concorre para a confusão de identidade dos netos ao desistir de encontrar Maria Monforte e Maria Eduarda. Ele opta por deixar no plano do ignorado a desconhecida condição da mãe e da filha, edificando história na enganosa conjectura de que ambas estão mortas e que não é necessário comentar mais o assunto. Mas, o velho Afonso morre tragicamente, na mais completa solidão interior quando descobre a tragédia. Desencantado, desiludido, desiste e a desistência realiza-se na morte. A morte de Afonso é a consumição de Carlos. Maria Eduarda, depois de muita privação e miséria, passa a viver com um brasileiro rico, Castro Gomes, tendo um forte sentido de autoridade moral e honra, pois não hesita em penhorar jóias e não aceitar o dinheiro que Castro Gomes lhe manda do Brasil, a partir do momento em que se envolve com Carlos da Maia. Maria Eduarda não conta a Carlos que Castro Gomes não é seu marido, nem pai de Rosa e que apenas é sustentada por ele. Quando descobre que ela é sua irmã, acaba cometendo o incesto voluntário e provocando a morte do avô. Mesmo conhecendo a circunstância da relação, Carlos não tem resolução e firmeza o suficiente para revelar tudo à Maria e romper a ligação incestuosa. Um embaraço, bem como uma atração lasciva o envolve. No entanto, a atração converte- se, logo depois, em repugnância pela mulher que sabe do seu sangue. A intensidade da queda de Carlos é acentuada porque, não obstante a educação inglesa recebida, que tem como objetivo desenvolver a aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso, o controle de si próprio, assim como a autocrítica, ele torna-se vítima do destino e do amor Apesar da instrução exemplar que Afonso oferece a Carlos, as falhas e os enganos cometidos por ele são excessivos. Carlos falha na profissão e nos projetos sociais, quando se deixa levar pela falta de ânimo. Falha, igualmente, no amor, inicialmente pela volubilidade amorosa, depois porque só separa-se de Maria quando em relação a ela sente um “indizível horror dum nojo físico”. No penúltimo capítulo, a fatalidade paira sobre a felicidade de Maria Eduarda. Ega vai à Rua de São Francisco facultar a revelação da terrível verdade. Ele diz que ela é uma parenta muito chegada de Carlos e entrega-lhe todos os papéis que pertenceram à mãe, Maria Monforte, inclusive a declaração de maternidade e paternidade. Ela lê e compreende a realidade atroz. Na partida para Paris, na estação de Santa Apolônia, a imagem negra e lúgubre de Maria Eduarda que “vinha toda envolta numa grande peliça escura" estabelece oposição com o brilho intenso e suntuosidade da primeira aparição: “com passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de ouro e um aroma no ar”
A Rede Globo produziu a minisérie em 2001, escrita por Maria Adelaide Amaral e João Emanuel Carneiro, unindo tramas e elementos de outro romance de Eça, A Relíquia, e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, elenco: Ana Paula Arosio , Fabio Assunção, Walmor Chagas, Leonardo Vieira, Simone Spoladore, Eva Wilma, Selton Mello.
Aqui, neste endereço, uma série de vídeos da minisérie da Globo.

Os Maias, capítulo I

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
QUEIRÓS, Eça de. Obra Completa. Organização geral, introdução, fixação dos textos

domingo, 21 de setembro de 2008

Ilíada e Odisséia: a saga do conflito

O filme Tróia teve por base uma mescla das obras Ilíada e Odisséia, que reúnem uma série de histórias e mitos relacionados à destruição pelos gregos da cidade de Tróia, do qual os dois poemas épicos atribuídos a Homero, formam a principal base. Os pesquisadores da obra dizem que Homero teria vivido por volta do século VIII a.C., não há registros históricos que comprovem os eventuais fatos históricos ocorridos. Na ocasião, as tradições eram transmitidas oralmente, de geração a geração, por cantadores, e estavam sujeitas a todo tipo de alteração que essa categoria de divulgação provoca. Assim, provavelmente, Homero deve ter se baseado em histórias orais, reais ou imaginárias daquela época. A própria figura de Homero é contraditória, pois não há provas de sua existência. O filme Tróia, do diretor Wolfgang Petersen e do roteirista David Benioff, retrata episódios contados nos dois poemas de Homero e reconstruindo o que teria sido a Guerra de Tróia, que teria durado cerca de dez anos,mas a obra registra o último ano, iniciando-se com o rapto de Helena, considerada a mulher mais bela do mundo, esposa do rei Menelau de Esparta. Paris, filho de Príamo, rei de Tróia, apaixonou-se por Helena quando a viu exposta nua, uma tarefa que tinha que fazer toda noite como castigo que seu pai havia lhe imposto. Ela teria sido a causadora da morte de seu irmão e por isto seu pai, que nunca a perdoou ordenara que ela seria cobiçada por todos, mas que nunca ninguém haveria de tocar-lhe. Para defender sua honra, Menelau e seu irmão, Agamenon, rei de Micenas (ou Argos), reúnem forças gregas de diversos reinos para resgatar Helena em uma ação contra Tróia, que é chamada de Ilion na história narrada por Homero (daí o nome Ilíada). A Ilíada trata da chamada cólera de Aquiles, principal personagem da história, maior guerreiro grego que acaba se desentendendo com Agamenon, o chamado rei dos reis, líder dos gregos na campanha contra Tróia, durante o período que situa-se na virada do nono para o décimo ano da guerra. Aquiles decide deixar os combates após ter uma de suas escravas, Briseida, sua preferida, tomada de seu poder por Agamenon. Como nas guerras da época o saque das cidades dominadas era comum e os bens dessa comunidade eram divididos entre os vencedores, assim como as mulheres e crianças e velhos sobreviventes, que se tornavam escravos, a pilhagem era também um motor das guerras.
Em uma das batalhas na campanha grega, Agamenon havia tomado como sua escrava Criseida, filha de Crisis, apóstolo de Apolo (divindade solar na tradição grega). Por esta razão, Apolo teria provocado uma praga entre os soldados gregos. Para abrandar a fúria de Apolo, Aquiles sugere a libertação de Criseida e sua devolução a seu pai. Agamenon aceita, mas para compensar sua perda, exige a escrava Briseida de Aquiles. Após Agamenon se apossar da mulher, Aquiles se revolta e deixa a guerra, junto com seus homens leais. O grande problema é que Aquiles era o grande guerreiro entre os gregos, a ponto de sua ausência provocar importantes revezes nos combates com os troianos, estes protegidos por uma grande fortificação em torno da cidade. Aquiles é um semideus (ou herói), isto é, filho de uma deusa (Tétis) com um humano (Peleu). Apesar dessa ascendência, trata-se de um mortal. Na Ilíada, em um encontro com sua mãe, Aquiles é alertado de que se prosseguir na guerra, não voltará jamais. Porém, Pátroclo, grande amigo de Aquiles, a pedido de Agamenon, tenta convencer Aquiles a voltar aos combates, devido ao abatimento do exército. Contudo, ele não consegue convercer Aquiles da idéia de manter-se afastado. Pátroclo acaba pedindo a armadura e as armas de Aquiles para que seja confundido com o herói e lidere os gregos contra os troianos. Porém, Pátroclo acaba sendo morto por Heitor, irmão de Paris, tido como um grande guerreiro. Após saber da morte de Pátroclo por Heitor, Aquiles decide vingar-se e volta ao campo de batalha. Ele se enfrenta em duelo com Heitor e mata seu oponente troiano. O último canto da Ilíada narra o episódio de Príamo se dirigindo a Aquiles para resgatar o corpo de Heitor e realizar seus funerais.
No filme Tróia, são incluídas algumas passagens da Odisséia, que é considerado um poema posterior à Ilíada e que narra as aventuras do herói Odisseu (Ulisses, segundo a tradição latina) em seu retorno da Guerra de Tróia para sua cidade, Ítaca.
Uma das passagens da Odisséia é a história do cavalo de Tróia, em que os heróis gregos, liderados por Odisseu, constroem um grande cavalo de madeira e o deixam como oferenda aos troianos, em sinal de uma suposta capitulação aos combates. No entanto, guerreiros gregos liderados por Odisseu se escondem dentro do cavalo e, na noite após o cavalo ser levada para dentro dos muros de Tróia, saem do cavalo e conseguem abrir os portões da cidade para que as tropas gregas a destruam. Esse trecho da Odisséia é também reproduzido pelo filme estrelado por Brad Pitt, que vive justamente Aquiles na história. O filme reproduz a história toda, desde o rapto de Helena até a destruição de Tróia. Além da mesclagem de histórias contadas nos dois poemas, o filme inclui ainda cenas editadas com "liberdade poética" que não são narradas por Homero. Há também uma grande influência da literatura posterior a Homero que desenvolve e dá seqüência a histórias e mitos inicialmente apresentados pelo autor. O filme Tróia trouxe uma boa reprodução da epopéia e seria interessante uma continuação sobre a volta de Ulisses, que segundo Carlos Alberto Nunes, tradutor desta edição em que me baseio, é uma obra que conta com maior número de leitores que Ilíada. Chegando mesmo a afirmar que a Odisséia fora escrita para mulhres e Ilíada para homens.Na Odisséia, a guerra de Tróia já pertence ao passado, sendo uma narrativa de retorno de Ulisses que atraiu para si maior número de elementos, da lenda, do folclore, de diferentes origens, chegando a rivalizar com a Ilíada. Mas a idéia central da epopéia não fica prejudicada com as narrativas secundárias, pelo contrário , ajudam nosso herói a atingir sua meta: reconquistar seu palácio e a afeição da esposa.Vinte anos se passaram e Penélope não perde a esperança de que o esposo regresse. A Odisséia termina no verso 296 do canto XXIII, em que se conta como Ulisses e Penélope voltaram a unir-se em seu velho leito, depois de longa separação.
É uma obra genial, cujo fascínio só tem aumentado com os séculos, parecendo que o tempo não conta para a sua duração. Como as pirâmides, como a música de Beethoven, o retrato de Mona Lisa, inclui-se a Odisséia entre as criações eternas.
Assista ao trailer do filme Tróia:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
HOMERO. Ilíada. 3ª edição; trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1960.
________. Odisséia. 3ª edição; trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1960.

domingo, 14 de setembro de 2008

SAGARANA, de Guimarães Rosa

O livro principia por uma epígrafe, como em todos contos, uma espécie de resumo do conto, extraída de uma quadra de desafio, que sintetiza os elementos centrais da obra : Minas Gerais, sertão , bois vaqueiros e jagunços , o bem e o mal:
"Lá em cima daquela serra,
passa boi , passa boiada,
passa gente ruim e boa
passa a minha namorada".
Sagarana , compõe-se de nove contos, com os seguintes títulos:
"O BURRINHO PEDRÊS"
" A VOLTA DO MARIDO PRÓDIGO"
"SARAPALHA"
"DUELO"
"MINHA GENTE"
"SÃO MARCOS"
"CORPO FECHADO
"CONVERSA DE BOIS"
"A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA"
Este foi um dos únicos livros que não consegui ler com os olhos, teve que ser em voz alta. Só assim para se perceber o jeito mineiro de falar. É certo que há muitas metáforas que também tornam a leitura difícil. A obra que acabei de ler encontra-se na biblioteca do professor dos colégios do Estado do Paraná. Recentemente, foi feita uma edição comemorativa dos 70 anos, muito bonita por sinal. O livro apresenta narrativas alegóricas com sentido moral. Às vezes certos contos, apresentam outras historinhas dentro do conto, tornando a leitura muito interessante. Não é uma leitura que flui, tem-se que ler e parar para pensar nas questões filosóficas que Guimarães o tempo todo nos mostra. Sagarana promove uma total renovação do regionalismo brasileiro como no uso de arcaísmos, neologismos, como em:refrio, retrovão, levantante, e desfalar. Há utilização de frases brilhantes como:"os passarinhos que bem-me-viam", "e aí se deu o que se deu – o isto é". Não são esquecidos os valores espirituais do matuto mineiro, que se igualam e traduzem os valores comuns aos homens de qualquer espaço ou tempo, consagrando a travessia humana pelo viver. Interessante notar os ditados populares: "Sapo não pula por buniteza, mais por percisão". Achei interessante também as palavras arcaicas, como:riba (por riba do monte), banda (em lugar de lado), vigiar (em vez de olhar), quentar (em vez de esquentar) e uma enfiada de verbos com prótese de um a, outrora bastante em voga em nossa língua e que ainda existe na fala do nosso homem do interior: agarantir, alembrar, alumiar, amostrar, arreconhecer, arrenegar, arresolver, arresponder, arresistir, aclivertir, etc. Além das onomatopéia: Entre outros, cito: “A boiada entra no beco - Tchou! Tchou! Tchou!... para tanger o gado; “lho... lho... lho... - vão, devagar, as braçadas de Sete-de-Ouros” , para o burrinho atravessando o rio; “-Prrr-tic-tic-tic!” para chamar galinha; “i-tchungs”-tchungou uma piabinha” , para o movimento da piaba, etc.
Qual o conto que eu mais gostei?
O burrinho pedrês. Leia e vai saber o porquê.

Adélia Prado


"De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Uns Braços, de Machado de Assis


Hoje faço questão de postar um trabalho que realizei na sala de aula do segundo ano “B”, do Colégio Estadual Unidade Polo, onde eu trabalho com Língua Portuguesa. Trabalhei o conto “Uns Braços”, de Machado de Assis. Depois do conto lido, analisado e debatido algumas especificidades da obra com a turma, pedi-lhes como atividade, uma resenha. E aqui está a resenha do aluno Geovani Scoassabi. Ao ler fiquei admirada com a visão crítica que ele demonstrou. Leiam e comprovem:

Um dos contos mais originais e incompletos do Realismo de Machado de Assis:”Uns Braços”. Nele Ignácio, um jovem de 15 anos, do interior que tinha ido morar na capital para estudar, apaixona-se sorrateiramente por D. Severina, uma senhora com o dobro de sua idade, casada com o solicitador Borges. A viagem pelo tempo dos acontecimentos que o autor apresenta em seus contos, facilita a leitura e a compreensão da história. O menino que de menino não tem nada, apaixona-se lúdica e eroticamente por uma imagem de sua anfitriã, através da visão dos braços nus de D.Severina. Quando menos se espera em um sonho, pensando em sua amada idealizada, Ignácio recebe um beijo de D. Severina, premeditado e recriminado por ela, que logo após o incidente proposital, despacha o rapaz de volta a sua origem, provavelmente com um sentimento de culpa e remorso. Hoje, acredito que o autor teria descrito com mais erotismo, mas o manteria incompleto como é a característica do autor. O caso de um jovem apaixonar-se por uma mulher mais velha é comum, influenciado por vários motivos, quer sejam eles: dinheiro ou popularidade. E acredito que em poucos casos, por amor.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ERRO DE PORTUGUÊS


Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Oswald Andrade inovou a poesia com seus pequenos poemas, em que sempre havia um forte caráter visual, criando o chamado poema-pílula. Analisando o poema Erro de português, a primeira imagem que nos vem é sobre o do ato de "vestir" e de "despir". Lembre-se que a forma como nos vestimos é um reflexo da sociedade a que pertencemos.As vestimentas de uma população refletem seus hábitos, sua cultura. Atentem também para as condições de chegada dos portugueses: "debaixo duma bruta chuva" As condições externas, alheias à nossa vontade, influenciam o que acontece conosco. Visto isso, agora pensem um pouco: o que é o ato de "vestir" e de "despir" nessa situação de encontro de civilizações? O que realmente representa a chuva e o sol, neste poema?

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Sherlock Holmes : O mais excêntrico e arrogante detetive de todos os tempos


Dr. Watson ficou impressionado quando conheceu Sherlock Holmes pelo seu interessante método de dedução, comparando-o ao detetive francês Auguste Dupin, personagem de Edgar Allan Poe. Ofendido com a comparação Holmes respondeu: “Dupin é um sujeito medíocre”. Mas , claro, foi Dupin quem inspirou a criação do principal personagem de Sir Arthur Conan Doyle. Sua primeira aparição nas páginas da Literatura policial se deu no romance “Um estudo em vermelho”.
É nessa obra que Holmes pronuncia a frase que ecoaria na eternidade literária:”Elementar, meu caro Watson!”, em nenhuma outra história, Sherlock voltaria a falar a tal frase.É nesse mesmo livro que o famoso detetive inglês assevera a tamanha zombaria contra a base de sua criação. A verossimilhança do personagem de Conan Doyle é tanta que há quem acredite que ele de fato existiu,na Inglaterra existe até museu com pertences do mais conhecido residente da Baker Street.Essa crença tem suas razões plausíveis do ponto de vista literário, Sherlock é o personagem mais vivaz da Literatura policial e um dos mais expressivos de toda a Literatura, tanto que ofuscou o nome do seu próprio criador.
Interessante notar que em todas as narrativas, o foco do personagem secundário, no caso de Conan Doyle é o Dr. Watson quem narra estupefato as revelações dos mais intrigantes mistérios, impossíveis de serem desvendados pelos meros mortais. Mistérios estes que nem a Scotland Yard, mais um motivo de zombaria para Sherlock Holmes, é capaz de descobrir. Dupin,é claro, tem a mesma capacidade dedutiva de Holmes. A obra que mais influenciou a criação deste personagem foi "Os crimes da rua Morgue", conto que originou o gênero policial na Literatura, e A carta roubada, de Edgard Alan Poe. Se o genial Sherlock Holmes superou ou não o também genial Auguste Dupin, é assunto para a crítica especializada. A única tarefa incubida a nós simples leitores é a degustação do imensurável prazer de lermos as aventuras tanto de um quanto de outro.
Veja fotos de Jeremy Brett, ator que eternizou o personagem Sherlock Holmes, no cinema.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O CIÚMES NA LITERATURA

A intensidade dramática do ciúme faz dele um tema atraente para escritores. Alguns souberam tratá-lo com maestria e produziram obras primas. Citamos o exemplo clássico de Otelo, de William Shakespeare (1603) e de três romances da língua portuguesa:Dom Casmurro, de Machado de Assis (1899), Alves & Cia., de Eça de Queiroz (1925) e São Bernardo, deGraciliano Ramos (1934).
Otelo
Como em todas as tragédias, desde sua origem na Grécia antiga, o destino trágico dos personagens centrais está traçado desde o início. Prisioneiros de suas próprias limitações pessoais e sociais são arrastados para ele e não podem mudá-lo. Otelo, o general mouro de Veneza, é prisioneiro da cor de sua pele. Por seus dotes militares, é tolerado, mas não aceito pelos venezianos, que nutrem com relação a ele sentimentos racistas. Otelo está ciente desse preconceito e se sente inseguro. Para dissimular sua insegurança, comporta-se de modo grosseiro e impulsivo, a ponto de intimidar sua própria mulher, Desdêmona. A insegurança de Otelo faz com que seja receptivo às intrigas de Iago, que desperta seus ciúmes, insinuando um romance entre Desdêmona e Cássio. O ciúme se intensifica ao longo da peça e culmina com o assassinato de Desdêmona pelo marido. Uma acuada Desdêmona não pode também fugir a seu destino, como Otelo não pode fugir do crime e de sua autodestruição. O ciúme é um tema fundamental na tragédia, pois além do ciúme de Otelo por Desdêmona, temos o de Iago por Cássio, porque este tem um posto militar superior ao seu, e o de Rodrigo, cúmplice de Iago, por Otelo, porque está apaixonado por Desdêmona. É em Otelo que se encontra a mais genial - e certamente a mais popular - definição de ciúme: ciúme é um monstro de olhos verdes (a green-eyed monster).
Dom Casmurro
Se Otelo é o clássico mundial de obras literárias sobre o ciúme, no Brasil esta honra cabe a Dom Casmurro, de Machado de Assis. Até hoje é motivo de aceso debate se Capitu traiu ou não o marido com seu melhor amigo, Escobar. A questão, no fundo, é irrelevante, pois para entendermos o perfil psicológico de Bentinho, basta sabermos que ele acredita ter havido adultério. Também é irrelevante se o fato que desencadeou o ciúme - a forma intensa com que Capitu fitava Escobar no velório deste, perturbando Bentinho a ponto de impedi-lo de pronunciar o discurso fúnebre – ocorreu na realidade ou apenas existiu na imaginação do personagem.No despertar do ciúme, teve papel certamente preponderante o sentimento de culpa que carregava Bentinho por não cumprir a promessa de sua mãe, de tornar-se padre e daí o ressentimento inconsciente contra Escobar, que o ajudara a dissuadir a mãe de seu intento, permitindo seu casamento com Capitu. A culpa e o ressentimento eram tão fortes que Bentinho esteve a ponto de suicidar-se. Não o fez e depois de ter perdido a mulher e humilhado a ela e ao filho, se tornou o Dom Casmurro do título.
Alves & Cia.
Pode-se dizer que o romance de Eça é sobre o anticiúme. Godofredo Alves, voltando mais cedo que o costume para casa, flagra a mulher Ludovina, abandonada, sobre o ombro de um homem, que lhe passava o braço pela cintura, e constata petrificado, que se trata de seu sócio, Machado. Após ofender e expulsar de casa a mulher, começa a sofrer as dores do ciúme, mas, já nas primeiras páginas Eça deixa claro que o desejo de sofrer de Alves não vai longe: Então imediatamente resolveu resistir àquele estado de perturbação e inquietação. Quis que no seu espírito reinasse a ordem; que tudo na casa retomasse o seu ar regular e calmo. Naquele momento, ainda não manifestava Alves a intenção de reconciliar-se com Ludovina, mas aos poucos esta intenção vai se formando no seu espírito e, ao final, do romance já está os três juntos, o casal e o amigo Machado, brindando seu sucesso na vida e nos negócios.
Há no romance de Eça uma crítica sutil ao capitalismo e o apego da burguesia a coisas materiais. A separação de Alves era ruim para os negócios da firma: seria mal visto na praça e perderia a colaboração de um sócio eficiente. À violência do ciúme segue-se a frieza do cálculo financeiro, a ponto de Alves duvidar até mesmo que tenha visto Ludovina em atitude comprometedora.
São Bernardo
Em São Bernardo, o tema do ciúme vem mesclado com uma crítica ao coronelismo dominante noNordeste. O Coronel Paulo Honório considera as mulheres bichos difíceis de governar, mas quer casar para ter um herdeiro. Decide que a mulher ideal seria a filha do juiz, mas indo a casa dela para pedir sua mão ao pai, encontra uma outra moça, Madalena, que lhe parece mais interessante e acaba por casar-se com ela. Professora culta e politizada, Madalena desperta desconfianças do marido, por suas opiniões e por sua atitude generosa para com os explorados empregados de suas terras. Acha que ela é comunista e comunista, sem religião, é capaz de tudo. Passa a duvidar da honestidade da mulher. Atormenta-a de tal maneira, que Madalena comete suicídio. A vida de Paulo Honorato se transforma num imenso vazio. Chega à velhice solitária, perseguida pela imagem de Madalena. Paulo Honorato era dono de terras, de gado e da vontade dos homens. Casou com Madalena, não para ter uma companheira pela vida, mas com a atitude calculada de quem está acrescentando mais um item a seu patrimônio. Este novo item tinha um único propósito: dar-lhe um filho. Mas Madalena tinha idéias e vontades próprias, não lhe pertencia porque não se submetia. Madalena era o outro que nunca teve que enfrentar e o atemorizava. Precisava então destruí-la, pois estava em descompasso com o mundo que conhecia até então. Mas só poderia destruí-la se elaborasse em sua mente que Madalena não prestava daí a pecha de comunista, mais uma crítica de Graciliano aos preconceitos da época, e de adúltera. Quando Madalena se suicida, um gesto autônomo de vontade que não esperava, dá-se conta do que havia feito e, no fim do romance, solitário, conclui: Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca enorme, dedos enormes.

domingo, 3 de agosto de 2008

AI DAQUELES, Paulo Leminski

Ai daqueles
que se amaram
sem nenhuma briga
aqueles que deixaram que a mágoa nova
virasse chaga antiga
ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é feito pão em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não por que não tem asa.
tyu
Paulo Leminski(1944-1989)
uioiuioiuio
Uma poesia linda, linda, de um poeta paranaense, para comemorar o meu 200º post.

domingo, 20 de julho de 2008

DE CABO A RABO

Biografia de Dercy Gonçalves, por Maria Adelaide Amaral
A atriz Dercy Gonçalves, que no último dia 23 de junho completou 101 anos (ou 103, de acordo com sua versão), morreu na tarde deste sábado (19) no Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Dercy Gonçalves foi uma das pioneiras da teledramaturgia brasileira, e atuou em novelas até 1992, com “Deus Nos Acuda”, da TV Globo. Sua estréia no teatro aconteceu em 1929, na cidade de Leopoldina (MG), em dueto com o ator Eugênio Pascoal. No Rio de Janeiro, faz carreira no teatro de revista na década de 30 e nos anos 40.
No ano de 1943, estréia no cinema com o filme “Samba em Berlim”, e desde então participou em mais de 30 filmes. O último lançado em vida foi o curta-metragem “Célia & Rosita”, de 2000. Dercy ainda participou de “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”, longa de Reinaldo Pinheiro premiado no Cine PE em maio deste ano, que ainda não foi lançado comercialmente.
Conhecida por seu humor debochado e pelos palavrões, tornou-se sinônimo de improviso e irreverência. Nascida Dolores Costa Gonçalves, em Santa Maria Madalena, no Rio de Janeiro, adotou em 1927 o nome artístico de Dercy Gonçalves para tentar a carreira de cantora.
O PDL presta uma homenagem, divulgando sua biografia.
Baixe a Biografia de Dercy
Fonte: Projeto Democratização da Leitura

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Você adora a trilogia Matrix?

Jean Braudrillard, o homem que detonou a trilogia Matrix.
Você tem que conhecer o pensador que inspirou os diretores e depois detonou os filmes. Como todo bom francês, o pensador Jean Baudrillard, que faleceu no ano passado aos 78 anos, se recusava a falar em inglês. Mas conseguiu ser muito popular nos Estados Unidos porque seu nome sempre esteve na boca e nos ouvidos dos espectadores da trilogia Matrix. No primeiro filme dos irmãos Wachowski, o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Keanu leu o livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix Reloaded, o último filme da trilogia. Foi o ensaio sobre como os meios de comunicação de massa produzem a realidade virtual que inspirou os diretores de Matrix a criar o roteiro.
Veja o que Baudrillard disse de Matrix: — É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.

domingo, 6 de julho de 2008

AUTO DA LUSITÂNIA

Auto da Lusitânia é uma peça escrita por Gil Vicente em 1531 e representada pela primeira vez em 1532, na corte de D. João III, rei de Portugal, por ocasião do nascimento de seu filho, o rei D. Manuel.
Fragmento:(linguagem original - 1532)

Entra hum cortesão e diz:
Cor: Vosso pae he ca, senhora?
Led: Que lhe
quereis vós dizer?
Cor: Pregunto a vossa mercê.
Led: Per hi sahio elle
fóra
A arrecadar não sei que.

Quereis-lhe algua coisa?
Havei-lo
mister, senhor?
Cor: Tem elle muito lavor?
Led: De ventura não repoisa
Nem sossega o peccador.
Cor: Vossa mãe he tambem fora?
Led: Mas em
cima está cosendo
E eu ando isto fazendo.
Cor: Não devia tal senhora
Como vós andar varrendo,

Senão enfiar aljofre
E perlas orientaes,
Não sei como isto se sofre.
Led: Minha mãe tem no seu cofre
Duas
voltas de coraes.
Cor: Senhora, sam cortesão,
E da linhagem d’Eneas,
E por vossa inclinação
Folgára de ser d’Abrahão
O sangue de minhas
veas.

Mas vosso e não de ninguém
He tudo o que está comigo,
E
quero-vos grande bem.
Led: Bem vos queira Deos amen:
Quereis outra
coisa, amigo?

Cor: Temo muito que me leixe
Vosso amor pobre coitado
De favor com quem me queixe.
Led: Lançae na sisa do peixe,
E logo
sois remediado.
Cor: Não falo, senhora, disso,
Por que eu me queimo e
arco
Com dores de coração.
Led: Muitas vezes tenho eu isso:
Diz
MestrAires que he do baça.
E reina mais no verão.

Cor: Mas, senhora,
por amar
Fiz minha sorte sugeita,
E perdi a mais andar.
Led: Crede,
senhor, que o jogar
Poicas vezes aproveita
Dom Senegal Saborido,
Que
tinha tanta fazenda,
Por jogar está perdido,
Que não tem o dolorido
Nem que compre nem que venda.

Cor: Ó doce frol antre espinhas,
Crede o amor sem mudança
Que vos tenho e que vos digo.
Led: Assi
huas primas minhas
E toda esta vezinhança
Todos tem amor comigo:
Dom
Isagaha Barabanel
E Rabi Abram Zacuto,
O Donegal Coronel,
E Dona
Luna de Cosiel,
E todos me querem muito.

Cor: Senhora, por piadade
Que entendais minha rezão;
Entendei minha verdade,
Entendei minha
vontade,
E mudareis a tenção:
Entendei bem minha dor,
E mil maleitas
quartans,
Que por vós hão de me matar
Led: Assi he meu pae, senhor,
Que tem dored d’almorrans,
Que he coisa de apiadar.


Como produção de texto, pedi aos alunos do primeiro C (noturno), ensino médio, que transpusessem o fragmento para os dias atuais. Escolhi uma produção que gostei muito. Leiam e comprovem:


Orotides: Oi! Como vai você?

Você está muito linda,

Eu não resisti, você parece uma rosa azul

Seu sorriso brilha mais que um diamante.

Márcia: Realmente o dia está lindo.

Parece uma rosa se abrindo.

Orotides: Então, você gostaria de um passeio?

Quem sabe na praça? Podemos tomar um sorvete.

Márcia: Bem que eu queria, mas estou gripada amigo.

Orotides: Tenho muito que te falar, coisas lindas de verdade.

o que eu te mostrarei é a realidade.

Márcia: É devo concordar que a realidade às vezes é difícil.

Orotides: Você já vem com pedras na mão,

perto de você acende o meu pobre coração.

Márcia: Agora eu vou confessar,

um segredo a você,

meu pai também anda com esta dor no coração.

Orotides: Quando te vejo o sangue ferve,

parece que vou explodir.

E para os seus pais eu vou te pedir.

Márcia: Deve ser pressão alta,

às vezes sentimos algo estranho,

melhor ver o que é...

Orotides: Você é uma bela flor

Entre espinhos e é linda de se apreciar.

Márcia: Há, como eu queria que a minha vida

Fosse um mar de rosas, mas só encontro espinhos.

Cada coisa que me aparece...


quinta-feira, 26 de junho de 2008

O feminino em Machado de Assis

Pretenderia Machado de Assis o matriarcado? Assim, dizem muitos dos estudiosos de sua obra, para os quais ele era mesmo feminista. Sobretudo por seu explícito, e corajoso, reconhecimento das necessidades emocionais, econômicas e sexuais da mulher — exposto em romances e contos. A obra de Machado de Assis, assim como Flaubert, Balzac e Eça de Queirós, destaca a questão da sexualidade feminina. Em seus romances podemos notar uma mulher que quer poder escolher a forma de sentir e amar, embora a maioria só tentasse em pensamento, pois viviam muito isoladas em suas casas, tinham pouco estudo, e sua principal meta era um casamento. Se houvesse amor, melhor, mas não era o principal,pois a questão do amor era secundária, era um luxo que muitas mulheres não tinham : Machado,fiel à ideologia das décadas de 1850-60, assim o trata em Ressureição, em A mão e luva, mas redime o amor em Memorial de Aires, numa “recomposição com a vida”, fazer convergir para o corpo o protesto da sua sexualidade insatisfeita.
Escrevia sobre mulheres e para mulheres: parece mesmo que tinha certa predileção em escrever para este público. Sua obra, de modo geral, encena vários tipos femininos, com histórias povoadas de muitas personagens e situações que mostram as alternativas com que as mulheres se defrontam na vida: assim é com Lívia de Ressurreição, Guiomar de A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Virgília e Marcela de Brás Cubas, Sofia de Quincas Borba, Capitu de Dom Casmurro, Flora de Esaú e Jacó, Fidelia e Carmo de Memorial de Aires, além da profusão das protagonistas de inúmeros contos — como “Missa do galo”, “Capítulo dos chapéus”, “Singular ocorrência”, “Uma senhora”, “Trina e una”, “Primas de Sapucaia!”, “Noite de almirante”, “A senhora do Galvão”, “Uns braços”, “D. Paula”, Rita, em “A Cartomante”, que encenam vários tipos femininos e situações com as quais as mulheres se defrontam na vida comum, podendo mesmo ser classificados como Estudo sobre o feminino, ao demonstrarem a sensibilidade de Machado no trato de questões que envolvem moral, ética, preconceito social, autoritarismo, amor, ciúme e adultério.
Suas mulheres ficcionais, orgulhosas ou tímidas, calculistas ou levianas, singelas ou complexas. Machado preocupou-se com o psicológico de maneira muito especial, podemos constatar nos climas, ambientes, situações existenciais sutis e delicadas: as mulheres surgem como personagens de grande densidade psicológica, tornando o enredo de suas obras muito denso, de difícil compreensão. Na maioria dos romances, a mulher é o elemento forte, traz o homem dependente de si, ela é o esteio, a base da relação. Há matriarcas que dominam e comandam propriedades e a família, viúvas que não se casam, em que se percebe que a figura masculina é, por vezes, desnecessária.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

MÔNICA JOVEM

O Empresário e desenhista Mauricio de Sousa decidiu revelar o mistério que envolvia a nova versão da Turma da Mônica. As novas histórias desenhadas no estilo japonês vão mostrar Mônica, Cebolinha e os demais personagens na fase adolescente. O lançamento da revista está previsto para agosto e será mensal.
O projeto parece interessante, mas acho que perde um pouco a magia e o encanto. Afinal, os traços e roteiros das historinhas da Turma da Mônica marcaram época. Como será o plano infalível do Cebolinha agora? E o Chico Bento? Continua caipira? E o Cascão continua sem querer tomar banho? Será que existe espaço pra ele nesta evolução? De qualquer forma, é esperar para ver o resultado.
Vi no Buteco da net.