sábado, 17 de outubro de 2009

Oscar Niemeyer: Mestre da forma

Na década de 1950, o Brasil decidiu que seria uma ideia perfeitamente razoável mover a capital para o centro do planalto, interior do país. Para facilitar este esforço apreciável convocaram Oscar Niemeyer, defensor da arquitetura moderna ao lado de seu amigo Le Corbusier, que co-projetou o edifício da ONU em Nova York, para construir uma cidade no meio do Planalto.

Sua estética arquitetônica gira em torno de projetos e por simetria usando apenas a intuição.Em outros casos, ele começa uma ideia com um simples desenho em preto e branco (na verdade, seu escritório tem um arquivo considerável de esboços).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Diário de Julieta


Desenvolvi um projeto este ano com a obra Romeu e Julieta.Veja o desenvolvimento do projeto neste link.No final pedi aos alunos que produzissem um diário dos acontecimentos de Romeu e Julieta. Aqui está um exemplo do diário feito pela aluna Ingrid Alves Silva, do 1º C, noturno.


DIÁRIO DE JULIETA


26/07/1500

Hoje no baile um moço mascarado, chamou-me a atenção, dançamos juntos e ao final do baile ele me beijou. Quando eu estava indo embora pedi para minha ama perguntar seu nome e Teobaldo, meu primo disse que se tratava de um Montecchio, Romeu Montecchio. Desesperada por descobrir quem era ele, pensei:
“Como do amor o inimigo me arde?”
Cedo não o vi,
Tarde foi ter comigo,
Como este monstro,
O amor brinca comigo?”
Logo à noite fui para a sacada do meu quarto pensar no que acontecera no baile. Indignada, por que tinha que ser Romeu Montecchi? Pensei em várias saídas:
Renegar-te seu pai...Despojar-te do nome... Ou se não aceitar, juro Capuleto deixarei de ser, pois inimigo é apenas um nome, riscando o nome em troca dele fica comigo inteira.
Eis que ele aparece, jurando-me amor, revelei então a ele que eu o amava, nos beijamos, juramos total entrega e amor, mas fomos interrompidos por um chamado de minha ama. Disse a Romeu que lhe mandaria um recado no dia seguinte às 9 horas da manhã. Por hoje é só. Vou dormir e sonhar com Romeu.

27/07/1500

Hoje às 9 horas minha querida ama, Anon, foi falar com Romeu, ao voltar, Anon disse-me que o Frei iria nos casar. Fiquei radiante...
À tarde fui até a igreja e lá estava Romeu a minha espera e assim o Frei nos casou às escondidas da minha família. Porém mais tarde, uma notícia veio com muito pesar sobre a nossa casa. Teobaldo, meu primo, havia matado Mercúcio, primo de Romeu e ele tomado pela revolta, não pensou nas consequências e acabou vingando a morte de seu primo, interrompendo a juventude de Teobaldo, matando-o.
O que fazer, agora? O que pensar? Meu coração se enche de perguntas.
Amo Romeu e esse sentimento não iria mudar...

28/07/1500

Ontem à noite Romeu veio até a minha casa e dormimos juntos. Foi a minha primeira noite junto de Romeu. Primeira noite como sua esposa, mas pela manhã Romeu partiu dando-me um simples adeus. Logo após minha mãe veio com a notícia que eu teria que me casar com Páris. Fiquei muito irritada, recusando-me a casar. “Como posso cara-me com Páris se já estava casada com Romeu e ele já me faz feliz”, mas minha família não sabia do meu casamento.
Meu pai quando soube que eu recusei me casar com Páris disse que não precisava encará-lo nunca mais! (Chorei muito) Pedi, supliquei,mas de nada adiantou, papai ainda disse-me que se eu casasse com Páris tudo teria, mas se eu não me casasse iria me colocar na rua e nada que fosse dele poderá me ser útil!
Pedi para mamãe, mas ela também se negou ao meu pedido... Anom disse que eu deveria casar-me com Páris. Não me conformei: Fui até a igreja falar com o Frei. Porém, Páris estava lá e falou-me do nosso “casamento”!... Quando ele foi embora pedi ao frei que ele me ajudasse. O Frei teve uma ideia, uma esperança, mas essa ideia era desesperadora como é desesperador o que queremos impedir. O Frei disse para eu ir para casa e mostrar-me alegre e recomendou-me a aceitar desposar o conde. Disse também, para que eu dormisse aquela noite sozinha sem minha ama, deu-me um frasco contendo uma poção que me faria dormir, mas todos pensariam que eu tivesse morrido, despertando bem depois.
Fui para o quarto e quando fiquei sozinha fiz como tudo combinado tomei o frasco. Senti o líquido pelas veias, comecei a suar frio e um efeito entorpecente, meu pulso começou a diminuir e desfaleci. Permaneci assim até o amanhecer, sem pulso, sem calor, nem hálito, minha vida poderá atestar com esse aspecto tétrico da morte. Vinte e quatro horas irei permanecer assim, para acordar de um doce sono. E antes de acordar Romeu haverá de receber uma carta do Frei explicando todo o plano. Eles aguardarão que eu desperte, conduzindo-me na mesma noite para Mântua. Depois, como tudo combinado, despertarei ao lado de Romeu. Enfim, seremos felizes... Amanhã eu e Romeu estaremos unidos eternamente.


(Achei muito bem feito o diário, pois a Ingrid observou muito bem o foco narrativo e a visão da obra só na perspectiva de Julieta, deixando o desfecho sem ser mencionado, pois em um diário não caberia o próprio narrador descrever sua morte). Enviei uma cópia para o livro da Sociedade dos Poetas Jandaienses, que será publicado no ano de 2010.

Parabéns Ingrid!


Diário baseado na obra Romeu e Julieta de Shakespeare.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ser Professora


Profissão por escolha ou por acaso?

Tenho visto ultimamente uma propaganda governamental para motivar pessoas a serem professores, onde noto claramente uma preocupação com a falta de pessoas interessadas nesta profissão. Fiquei pensando: Como cheguei a ser professora. Por vocação ou por acaso?
Comigo foi por acaso. Minha mãe inscreveu-me para o vestibular do curso de Letras, (e nem me perguntou se eu queria) porque só havia uma faculdade na minha região. Ou fazia o vestibular para letras, ciências, geografia ou pedagogia. Acho que ela já sabia que eu iria me dar melhor em Letras porque já lia muito. Quando fiquei sabendo, briguei esperneei, mas fiz o vestibular. Passei, fiz o curso sem achar que era uma grande coisa. Isto é, nada me chamou a atenção. Quando terminei uma amiga me convidou para fazer inscrição para um concurso que abrira para o ensino primário público estadual. Fiz só para ver se me saia bem. Passei, mas não queria trabalhar. Vai a minha amiga Teresa Marson, e compra a passagem para Curitiba para a escolha de vagas. Briguei e esperneei novamente, mas fui ( acho que era meu destino, afinal). Assumi o ensino primário por 10 anos, com muito esforço, pois não foi minha melhor fase no magistério. Quando fiz transposição para o ensino médio, vi que ali estaria minha realização. Hoje amo o que faço e sei que tenho o perfil da profissão.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Homenagem ao dia das crianças


Tenho uma relação de amor com todos os livros que eu li, todos eles me marcaram e são importantes até hoje para o que eu sou, para minhas ideias e para a minha formação, por isso pensei neste tema para fazer esta homenagem ao dia das crianças.

Vi uma enquete no site " O livreiro" com a pergunta: Qual o livro que mais marcou sua infância? Achei muito interessante e fiquei pensando qual seria o meu. Lembro-me que as histórias de Monteiro Lobato marcaram muito, mas se for analisar bem, existe uma coleção que foi a primeiríssima que eu li. E foi comprada pelo meu pai justamente porque eu já estava alfabetizada.

O nome dela era "Amigos da Infância".Continha todos os contos de fada famosos e alguns que só vi lá, em mais de 10 volumes coloridos. São aproximadamente 100 contos e fábulas, mas o que mais me marcaram foram:
A GATA BORRALHEIRA
A PRINCESA PERDIDA
PELE DE BURRO
O LEÃO DOENTE (FÁBULA DE LA FONTAINE)
OS BOLINHOS DA FEITICEIRA
O CAMINHO DO CÉU
O HOMEM QUE ENGANOU O DIABO
O LOBO E A LEBRE
OS 7 GIGANTES
O HOMEM COM PELE DE URSO
A PRINCESA ENJEITADA
A TRÊS FADAS
O GATO DE BOTAS
É lastimável que os pais , atualmente, não lembrem de presentear os filhos com livros. Para os meus três filhos sempre faço questão de presenteá-los com livros. E o primeiro sempre é O Menino Maluquinho, do Ziraldo e eles adoram e sentem muitos ciúmes se alguém manuseia-os com medo que estraguem.
Leitura está longe de ser um hábito no Brasil. Veja a reportagem do jornal FUTURA



Mas e você:Qual foi o livro mais marcante da sua infância?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nobel de Literatura


A escritora alemã Herta Müller foi anunciada nesta quinta-feira pela Academia Sueca como a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2009. A Academia afirma em um comunicado que Müller, 56 anos, foi premiada porque com a "densidade da poesia e a franqueza da prosa retrata os cenários dos abandonados".Continue lendo...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Saudosa Maloca

Assistindo o vídeo abaixo, onde Adoniram e Elis cantam “Saudosa Maloca”, cheguei a conclusão de que se trata de uma música que conta a história da cidade de São Paulo, em especial do bairro do Bexiga. Pelo vídeo, notamos que essa música possui um significado socio-cultural que é extremamente político, é uma saudosa crítica, por assim dizer, dos primórdios da industrialização paulista, com sua pobreza, com seus malandros e a indignidade de um "progresso" que não contempla o excluído. Notamos nas imagens que o bairro do Bexiga e os do centro de São Paulo não conservaram ao longo de sua modernização a arquitetura original com casarões e prédios antigos. Ao contrário disso, derrubavam tudo e reconstruíam com uma roupagem mais moderna., com isso a cidade acaba perdendo sua identidade e sua história…
Adoniram com sua linguagem típica do Bexiga - uma espécie de sotaque oficial da cidade, contava sem dramas as pequenas tragédias cotidianas da favela e dos suburbanos em geral. Geralmente histórias que ele tinha vivenciado. Tragédias miúdas, de moradores de velhos casarões abandonados por uma cidade que os demolia pra construir mais e mais arranha-céus... Enfim, a vida dos depreciativamente chamados de maloqueiros - porque viviam em malocas.
As casas térreas com arquitetura mais antigas foram todas demolidas dando lugar a modernos e altos edifícios. A história da arquitetura da cidade foi perdida nessa transição…
Acho importante que o professor pesquise na música, conteúdos para as suas aulas, porque ele leva para a sala de aula o que tem mais afinidade. Quem gosta de cinema, leva filme; quem gosta de jornal, leva jornal, quem gosta de teatro, dramatiza na sala de aula. E se gosta de música”, por que não usá-la?
Trabalhar a letra de Saudosa Maloca torna os conteúdos de História, Literatura, Arte, sociologia... mais atrativos aos alunos e imprimem um caráter interdisciplinar às aulas.
Percebam quanta riqueza temos só neste fragmento:
“Ali onde agora está esse adifício arto
Era uma casa véia, um palacete assobradado
Foi ali, seu moço
Que eu, mato Grosso e o Joca
Construímo nossa maloca”



sábado, 26 de setembro de 2009

Traduzir-se

Realmente, Ferreira Gullar, como imortal que é, foi brilhante ao fazer esse belo poema. E Fagner, também brilhante em musicá-lo, tão perfeitamente. Adriana mostrou com sua performance uma perfeição de interpretação. Traduzir-se é sublime, não é fácil ...
É para poucos. Adriana traduz o "traduzir-se", divinamente!!!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O meu Guri ( Chico Buarque de Holanda)


Essa é uma música protagonizada pela mãe de um marginal, favelado do morro, que desconhece a condição e a real natureza do batente de seu filho. Vivendo num mundo de ingenuidade, a mãe ignora a tudo, um nome, seu modo de ganhar a vida, inclusive a morte do menor infrator que é notícia no jornal. Nessa canção, Chico mostra o desamparo feminino e, paradoxalmente, a procura em proteger o filho, quando não quer enxergar seus furtos e ainda reza por ele devido a “onda de assalto”.
A mãe é uma analfabeta que não consegue, sequer, ler a legenda do noticiário da morte do filho, que é assassinado pela polícia devido a uma força exercida pela opressão socioeconômica. Acaba deixando-a numa situação patética devido à alienação que age de maneira profunda na classe da qual advém: a pobre, que cria marginais devido a necessidades que o próprio sistema deveria suprir, mas não consegue.
O que pode perceber nessa canção é a falta de estrutura que o sistema proporciona às pessoas em geral, principalmente àqueles que são mais desprovidos socioeconomicamente, gerando o analfabetismo, os assaltos, as mortes e a “ingenuidade”, por parte daqueles que não conseguem ser espertos o suficiente. Sem contar que, para desenvolver o intelecto do ser humano, faz-se necessário haver o principal, além de educação: comida. Há pessoas na favela, ou periferias, que chegam à desnutrição, não se desenvolvendo intelecto e corporalmente. Restando como opção à maioria desses, para sobreviver, o roubo, o tráfego, e assassinatos por encomenda como forma de “ganha-pão”.

Essa é uma canção patética/caótica na qual também é tratado o social. Fala do menino de rua, da mulher e das oportunidades que o sistema proporciona a todos de maneira desigual. Essa desigualdade está em todas suas músicas desta época. Ele é capaz de mostrar a realidade em que vivemos e o descaso que a maioria sofre, seja qual o período que nos encontramos.

TEXTO
Meu guri
Quando seu moço, nasceu meu rebento

Chega no morro com o carregamento
Não era o momento de ele rebentar

Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Já foi nascendo com cara de fome

Rezo até ele chegar cá no alto
E eu não tinha nem nome pra lhe dar

Essa onda de assaltos ta um horror
Como fui levando, não sei lhe explicar

Eu consolo ele, ele me consola
Fui assim levando, ele a me levar

Boto ele no colo pra ele me ninar
E na sua meninice ele um dia me disse

De repente acordo, olho pro lado
Que chegava lá

E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí Olha aí, é o meu guri
Olha aí, ai o meu guri, olha aí E ele chega
Olha aí, é o meu guri
E ele chega Chega estampado, manchete, retrato
Com vendas nos olhos, legenda e as iniciais
Chega suado e veloz do batente

Eu não entendo essa gente, seu moço
E traz sempre um presente pra me encabular

Fazendo alvoroço demais
Tanta corrente de ouro, seu moço,

O guri no mato, acho que tá rindo
Que haja pescoço pra enfiar

Acho que tá lindo de papo pro ar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

Desde o começo eu não disse, seu moço?
Chave, caderneta, terço e patuá

Ele disse que chegava lá
Um lenço e uma penca de documentos

Olha aí, olha aí
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri.
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Fonte: Baseado em : Os Oprimidos nas Canções de Chico Buarque de Tania Barbosa Novaes.



domingo, 13 de setembro de 2009

Na Mira do Leitor

Ontem, fiquei muito feliz com a visita da professora Doralice Araújo. Ela escreve para jornais e revistas, e o melhor é que disse que me indicaria no seu blog que mantém no site da Gazeta do Povo. Comentou no site, que compartilho interessantes observações com a criteriosa seleção de temas. Realmente, é o que procuro passar com os temas que pesquiso e desenvolvo. Agradeço a indicação e espero sempre ter ideias inovadoras para oferecer aos meus leitores.
"Doralice Araújo é paranaense, residente desde 1992 em Curitiba, mantém uma constante vinculação com a leitura e a escrita. É professora de língua portuguesa com experiência em todos os graus de ensino - e atualmente oferece oficinas de leitura e escrita para jovens escolares, vestibulandos e universitários na sua CASA DA LINGUAGEM, espaço pedagógico, no bairro Mercês, fonte de seus sonhos e de renda.
Escreve participadamente nas seções dos leitores dos jornais e revistas e agora manterá este blog, centrado na interatividade com "sua excelência", o leitor. "
A indicação encontra-se no link abaixo, onde há também outros bons espaços pedagógicos indicados.

sábado, 5 de setembro de 2009

Nel mezzo del camim...


Nel mezzo del cammin

Dante Alighieri

INFERNO

CANTO I (trecho inicial)

No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva
escura,
solitário, sem sol e sem saída.
Ah, como armar no ar uma
figura
desta selva selvagem, dura,
forte,
que, só de eu a pensar, me
desfigura?
É quase tão amargo como a
morte;
mas para expor o bem que
encontrei,
outros dados darei da minha
sorte.
Não me recordo ao certo como
entrei,
tomado de uma sonolência
estranha,
quando a vera vereda abandonei.
(...)


Nel mezzo del camim...

Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


No meio do caminho

Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Intertextualidade é uma forma de dialogia entre os textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica na identificação e no reconhecimento de remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos textos/ contextos em que ela é inserida.
Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “conhecimento de mundo”, que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
Um mesmo escritor pode reler-se, utilizando-se de textos que ele mesmo escreveu, o que resulta numa espécie de intratextualidade. Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, retoma seu conhecido texto No meio do caminho, para escrever Consideração do poema:

Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
Ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante.
Me perco em Apollinaire.
Adeus Maiakóvski.

(ANDRADE, 1978, p. 75)

Desvenda-se o mecanismo intertextual, na medida em que além de referir-se a si mesmo, o poeta confessa o furto que faz a outros poetas, incorporando-os duplamente em seu acervo.

Bilac (faleceu em 1918) , que era parnasiano, aproveita do poema "Divina Comédia"(Dante Alighieri - faleceu em 1321). Esse poema volta reciclado e cai no gosto popular com o modernista Carlos Drummond de Andrade, "No meio do Caminho".