domingo, 6 de julho de 2008

CIBERCULTURA E CYBERPUNK

O Programa Cyber Cubo, gravado na disciplina de Telejornalismo II, do curso de Comunicação Social da Feevale, apresenta uma entrevista com Adriana Amaral, sobre os temas Cyberpunk e CIBERCULTURA, onde a professora de Mestrado da Universidade TUIUTI de Curitiba disse que o que impulsionou a cibercultura e o cyberpunk foi o filme Blade Runner em um primeiro momento e depois MATRIX. A entrevista do programa Cybercubo gravado em abril na TV Feevale (Novo Hamburgo - RS) foi realizada sob orientação da professora Paula Puhl. O formato foi bem interessante e inovador, buscando algumas referências como o Roda Viva. Espero que gostem. Seguem as quatro partes. Quem se interessa por cinema e literatura deve assistir as quatro partes para ficar informado sobre esta atual cultura.
Parte 1


Parte 2:

Parte 3

Parte 4:

Cenas do filme, de 1982, que inpirou esta estética: BLADE RUNNER

AUTO DA LUSITÂNIA

Auto da Lusitânia é uma peça escrita por Gil Vicente em 1531 e representada pela primeira vez em 1532, na corte de D. João III, rei de Portugal, por ocasião do nascimento de seu filho, o rei D. Manuel.
Fragmento:(linguagem original - 1532)

Entra hum cortesão e diz:
Cor: Vosso pae he ca, senhora?
Led: Que lhe
quereis vós dizer?
Cor: Pregunto a vossa mercê.
Led: Per hi sahio elle
fóra
A arrecadar não sei que.

Quereis-lhe algua coisa?
Havei-lo
mister, senhor?
Cor: Tem elle muito lavor?
Led: De ventura não repoisa
Nem sossega o peccador.
Cor: Vossa mãe he tambem fora?
Led: Mas em
cima está cosendo
E eu ando isto fazendo.
Cor: Não devia tal senhora
Como vós andar varrendo,

Senão enfiar aljofre
E perlas orientaes,
Não sei como isto se sofre.
Led: Minha mãe tem no seu cofre
Duas
voltas de coraes.
Cor: Senhora, sam cortesão,
E da linhagem d’Eneas,
E por vossa inclinação
Folgára de ser d’Abrahão
O sangue de minhas
veas.

Mas vosso e não de ninguém
He tudo o que está comigo,
E
quero-vos grande bem.
Led: Bem vos queira Deos amen:
Quereis outra
coisa, amigo?

Cor: Temo muito que me leixe
Vosso amor pobre coitado
De favor com quem me queixe.
Led: Lançae na sisa do peixe,
E logo
sois remediado.
Cor: Não falo, senhora, disso,
Por que eu me queimo e
arco
Com dores de coração.
Led: Muitas vezes tenho eu isso:
Diz
MestrAires que he do baça.
E reina mais no verão.

Cor: Mas, senhora,
por amar
Fiz minha sorte sugeita,
E perdi a mais andar.
Led: Crede,
senhor, que o jogar
Poicas vezes aproveita
Dom Senegal Saborido,
Que
tinha tanta fazenda,
Por jogar está perdido,
Que não tem o dolorido
Nem que compre nem que venda.

Cor: Ó doce frol antre espinhas,
Crede o amor sem mudança
Que vos tenho e que vos digo.
Led: Assi
huas primas minhas
E toda esta vezinhança
Todos tem amor comigo:
Dom
Isagaha Barabanel
E Rabi Abram Zacuto,
O Donegal Coronel,
E Dona
Luna de Cosiel,
E todos me querem muito.

Cor: Senhora, por piadade
Que entendais minha rezão;
Entendei minha verdade,
Entendei minha
vontade,
E mudareis a tenção:
Entendei bem minha dor,
E mil maleitas
quartans,
Que por vós hão de me matar
Led: Assi he meu pae, senhor,
Que tem dored d’almorrans,
Que he coisa de apiadar.


Como produção de texto, pedi aos alunos do primeiro C (noturno), ensino médio, que transpusessem o fragmento para os dias atuais. Escolhi uma produção que gostei muito. Leiam e comprovem:


Orotides: Oi! Como vai você?

Você está muito linda,

Eu não resisti, você parece uma rosa azul

Seu sorriso brilha mais que um diamante.

Márcia: Realmente o dia está lindo.

Parece uma rosa se abrindo.

Orotides: Então, você gostaria de um passeio?

Quem sabe na praça? Podemos tomar um sorvete.

Márcia: Bem que eu queria, mas estou gripada amigo.

Orotides: Tenho muito que te falar, coisas lindas de verdade.

o que eu te mostrarei é a realidade.

Márcia: É devo concordar que a realidade às vezes é difícil.

Orotides: Você já vem com pedras na mão,

perto de você acende o meu pobre coração.

Márcia: Agora eu vou confessar,

um segredo a você,

meu pai também anda com esta dor no coração.

Orotides: Quando te vejo o sangue ferve,

parece que vou explodir.

E para os seus pais eu vou te pedir.

Márcia: Deve ser pressão alta,

às vezes sentimos algo estranho,

melhor ver o que é...

Orotides: Você é uma bela flor

Entre espinhos e é linda de se apreciar.

Márcia: Há, como eu queria que a minha vida

Fosse um mar de rosas, mas só encontro espinhos.

Cada coisa que me aparece...


quinta-feira, 3 de julho de 2008

FICÇÃO CIENTÍFICA

Ficção Científica é um "gênero" literário que apresenta enredos ficcionais e fantásticos, mas cuja fantasia propõe-se a ser plausível, quer em uma época e local distante ou no presente. Não se analisa como um gênero tal como Drama, Policial ou Aventura. Uma obra de Ficção Científica pode estar em qualquer gênero como por exemplo:
FICÇÃO CIENTÍFICA E Terror: A Mosca, Alien
FC E Ação: Total Recall, The Terminator
FC E Romance: Em Algum Lugar do Passado, Kate & Leopold
FC E Policial: Robocop, Blade Runner
FC E Drama: Inimigo Meu, Soyent Green
F C E Desenho Animado: WALL .E
A grande diferença é que ela tenta convencer seu público de que as idéias que apresenta podem não ser possíveis no contexto atual, mas poderiam ser, valendo-se de uma explicação científica ou pelo menos racional. É diferente da Ficção Fantástica onde a preocupação de afirmar a viabilidade real de seus acontecimentos não ocorre, ou ocorre de forma não racional. Para validar algo que não é possível no nosso contexto atual, a Ficção científica pode recorrer a: Ambientação Futura.
Inteligências não humanas: Extraterrestres, Intraterrestres, Interdimensionais etc.
Inteligências Humanas: Gênios e Cientistas. Fenômenos Desconhecidos.
Interessante é que se fizermos uma pesquisa, encontraremos uma porcentagem pequena de pessoas que declaram ser esse seu gênero favorito, por outro lado, este é com certeza o gênero cinematográfico mais bem sucedido do mundo. Basta olhar a lista das maiores bilheterias cinematográficas mundiais, evidentemente compostas por filmes de Hollywood. Tirando Titanic, a maioria é de Ficção Científica, Star Wars, Independence Day, O Dia Depois de Amanhã ET, Batman e etc.
Um bom apreciador desse gênero necessita ter receptividade a idéias novas, abertura a ousadias intelectuais. É o que fez a PIXAR no filme WALL .E, onde foi explorada a FUTURÂMICA TERRENA com VIAGENS PARA FORA DA TERRA .Trata-se de qualquer ambientação que localize-se no futuro em nosso planeta, mas em geral aborda uma era mais adiantada tecnologicamente e ou socialmente. É o que os roteiristas do filme fizeram, unindo as duas perspectivas e deu certo.
WALL .E pode ser trabalhado sob diferentes ângulos, um dos quais serve de alerta:
Será que é possível a ficção se tornar realidade?
Vamos acumular tanto LIXO que teremos de sair da terra?
O lixo vai matar toda e qualquer forma de vida vegetativa?
Como sempre a PIXAR foi inteligente ao atingir o público infantil por despertar neles esta preocupação, pois em nós, adultos, parece que é tarde.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Conheça a candidata Jandaiense ao título de Miss Mundo Brasil 2008


No dia 26 de julho deste ano, dez beldades concorrerão ao título de Miss Mundo Brasil 2008, para representar o Brasil no concurso Miss Mundo, que será disputado em 4 de outubro de 2008 em Kiev, na Ucrânia. A nossa linda jandaiense chama-se Amanda Bocchi Silveira e fará parte desta seleta seleção. As dez candidatas ao título deste ano foram selecionadas entre as finalistas das duas últimas edições. Ou seja: todas as dez já têm experiência em concursos nacionais. Páreo duro...Então, para ajudá-la a vencer este concurso, você que lê o meu blog, entre no site abaixo, visualize a nossa candidata e dê o seu voto. Entre, navegue bastante, veja as fotos de todas candidatas, mas não esqueça de votar na Amanda, porque ela é , realmente, a mais bonita delas.

terça-feira, 1 de julho de 2008

NÃO BEBA NADA


O conar, órgão máximo do mercado publicitário faz uma advertência sobre as propagandas de bebidas, "Beba com moderação". Afirmam que devem utilizar:" O mais saudável é não beber nada".
Hoje, recebi a revista ISTO É com a reportagem de capa BEBER E DIRIGIR, com uma imagem bem elucidativa: Um mulher algemada e ao mesmo tempo segurando uma taça de bebida alcoólica.
É a tolerância zero, com o objetivo de diminuir o alto índice de acidentes com mortes envolvendo motoristas embriagados e geralmente jovens. Claro que sabemos que esta realidade deve mudar. Na reportagem da revista, podemos observar que foi divulgada uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo, que analisou o comportamento de 6.356 motoristas durante dois anos em cinco cidades e mostra dados alarmantes. Dos que concordaram em se submeter ao bafômetro (75% dos entrevistados ), 19% estavam com nível de álcool no sangue superiores a 0,6 g/l. Números, em média, seis vezes mais elevados que as pesquisas feitas em países desenvolvidos. E são os jovens as vítimas de acidentes de trânsito.
Esta nova lei está longe de ter a unanimidade da população. Muitos discordam afirmando que é uma lei para primeiro mundo, onde há bons transportes públicos e que no Brasil nem pode-se cogitar uma pessoa andar a pé palas ruas, à noite pelas grandes cidades. Sabemos que algumas medidas precisam ser tomadas para que esta lei funcione. A política de tolerância zero para o álcool implica em uma mudança de hábitos. Os bares e restaurantes precisam achar soluções criativas para driblar esta situação, mas por outro lado os taxistas devem estar bem felizes, pois se a turma da bebedeira não eleger um motorista para ser o piloto da noite só restará largar o carro e pegar um táxi.
Assista o comercial de divulgação contra beber e dirigir da Irlanda e sinta os efeitos e as conseqüências deste ato impensado:

sábado, 28 de junho de 2008

SEM DESTINO

Em 27 de setembro de 1967, Peter Fonda estava descansando num hotel em Toronto, Canadá. Ficou olhando uma foto de The Wild Angels (1966), que o mostrava junto a Bruce Dern em frente a duas motocicletas. Começou a nascer na cabeça do filho de Henry Fonda, irmão de Jane, um pequeno filme de estrada, que mudaria Hollywood para sempre, sintetizando os medos e as esperanças dos anos 60. Era Sem destino (Easy Rider, 1969). Dois motoqueiros hippies viajando pelos Estados Unidos de motocicletas em busca de uma grande partida de cocaína. "Eu e o Dern seremos os caubóis modernos", delirou Peter Fonda. No lugar de John Wayne ou Gary Cooper, ali estavam eles, vivenciando plenamente a liberdade na estrada. A Rocco lançou no Brasil, como parte da coleção Artemídia, o livro Sem destino (Easy Rider), do escritor e crítico norte-americano Lee Hill. Após uma pesquisa detalhada, Hill vai fundo nos bastidores desse filme que, mesmo com um orçamento modestíssimo (US$ 365 mil), com seu tom desolador e com seu final ultradeprimente, faturou mais de US$ 60 milhões em todo o mundo. (No mesmo ano, Alô Dolly, de Gene Kelly, com custo de US$ 26,4 milhões, arrecadou apenas US$ 15,2 milhões.) O filme imaginado por Peter tinha tudo para não dar certo. Uma parte crucial (cenas de rua e no cemitério de Nova Orleans) foi filmada de improviso, fora do tempo e um tanto fora do roteiro, com uma câmera de 16 mm. O diretor Dennis Hopper provocou revoltas ao revelar-se um autoritário implacável e entrar em choque de egos com Peter Fonda. O roteirista Terry Southern queixou-se de que seu trabalho foi desrespeitado, desvirtuado e "estragado" na montagem final. Mas a estréia de Easy Rider em Cannes, em 13 de maio de 1969, foi recebida com um silêncio atônito, seguido de uma ovação de pé. Não ganhou a Palma de Ouro, mas Hopper foi considerado o melhor diretor novo. Recebeu duas indicações para o Oscar, nas categorias de melhor ator coadjuvante (Jack Nicholson) e melhor roteiro original. A crítica ficou encantada. Era o começo de um novo cinema americano. Lee Hill comenta: "Sem destino mostrava não só onde o Paraíso e o Inferno podiam estar, como também, mais dolorosamente, onde a Queda havia começado". Este filme despertou em muitos jovens a paixão pelas DUAS RODAS, como também, associada a idéia de liberdade e aventura que até hoje, ainda faz os cinqüentões saírem em bandos pela estrada em suas potentes motos.
Sobre o autor:
Nascido nos Estados Unidos, Lee Hill é escritor e crítico de cinema, sendo também o biógrafo do escritor e roteirista Terry Southern.
Fonte:http://www.editoras.com/rocco/022282.htm
A música tema do filme é de Steppenwolf "Born to be Wild".
Veja o momento em que Peter Fonda joga o relógio e começa a aventura:

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O feminino em Machado de Assis

Pretenderia Machado de Assis o matriarcado? Assim, dizem muitos dos estudiosos de sua obra, para os quais ele era mesmo feminista. Sobretudo por seu explícito, e corajoso, reconhecimento das necessidades emocionais, econômicas e sexuais da mulher — exposto em romances e contos. A obra de Machado de Assis, assim como Flaubert, Balzac e Eça de Queirós, destaca a questão da sexualidade feminina. Em seus romances podemos notar uma mulher que quer poder escolher a forma de sentir e amar, embora a maioria só tentasse em pensamento, pois viviam muito isoladas em suas casas, tinham pouco estudo, e sua principal meta era um casamento. Se houvesse amor, melhor, mas não era o principal,pois a questão do amor era secundária, era um luxo que muitas mulheres não tinham : Machado,fiel à ideologia das décadas de 1850-60, assim o trata em Ressureição, em A mão e luva, mas redime o amor em Memorial de Aires, numa “recomposição com a vida”, fazer convergir para o corpo o protesto da sua sexualidade insatisfeita.
Escrevia sobre mulheres e para mulheres: parece mesmo que tinha certa predileção em escrever para este público. Sua obra, de modo geral, encena vários tipos femininos, com histórias povoadas de muitas personagens e situações que mostram as alternativas com que as mulheres se defrontam na vida: assim é com Lívia de Ressurreição, Guiomar de A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Virgília e Marcela de Brás Cubas, Sofia de Quincas Borba, Capitu de Dom Casmurro, Flora de Esaú e Jacó, Fidelia e Carmo de Memorial de Aires, além da profusão das protagonistas de inúmeros contos — como “Missa do galo”, “Capítulo dos chapéus”, “Singular ocorrência”, “Uma senhora”, “Trina e una”, “Primas de Sapucaia!”, “Noite de almirante”, “A senhora do Galvão”, “Uns braços”, “D. Paula”, Rita, em “A Cartomante”, que encenam vários tipos femininos e situações com as quais as mulheres se defrontam na vida comum, podendo mesmo ser classificados como Estudo sobre o feminino, ao demonstrarem a sensibilidade de Machado no trato de questões que envolvem moral, ética, preconceito social, autoritarismo, amor, ciúme e adultério.
Suas mulheres ficcionais, orgulhosas ou tímidas, calculistas ou levianas, singelas ou complexas. Machado preocupou-se com o psicológico de maneira muito especial, podemos constatar nos climas, ambientes, situações existenciais sutis e delicadas: as mulheres surgem como personagens de grande densidade psicológica, tornando o enredo de suas obras muito denso, de difícil compreensão. Na maioria dos romances, a mulher é o elemento forte, traz o homem dependente de si, ela é o esteio, a base da relação. Há matriarcas que dominam e comandam propriedades e a família, viúvas que não se casam, em que se percebe que a figura masculina é, por vezes, desnecessária.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

MÔNICA JOVEM

O Empresário e desenhista Mauricio de Sousa decidiu revelar o mistério que envolvia a nova versão da Turma da Mônica. As novas histórias desenhadas no estilo japonês vão mostrar Mônica, Cebolinha e os demais personagens na fase adolescente. O lançamento da revista está previsto para agosto e será mensal.
O projeto parece interessante, mas acho que perde um pouco a magia e o encanto. Afinal, os traços e roteiros das historinhas da Turma da Mônica marcaram época. Como será o plano infalível do Cebolinha agora? E o Chico Bento? Continua caipira? E o Cascão continua sem querer tomar banho? Será que existe espaço pra ele nesta evolução? De qualquer forma, é esperar para ver o resultado.
Vi no Buteco da net.

domingo, 22 de junho de 2008

MOVIMENTO LIVRO NA MÃO


Achei muito interessante este movimento, faz parte do blog do mesmo nome. Transcrevo aqui as palavras dela e faço delas as minhas palavras:

"Ao sair de casa, perguntem-se: com que livro eu vou hoje? Nem que seja somente para fazer companhia. Para estar perto dele. Mas anseie por uma conseqüência. Provoque inveja. Abra-o em público. Levante a capa, para que o título apareça. Dê sorrisos. Suspiros. Na hora de pagar a conta no caixa, deixe ele por cima da mesinha, para que o cobrador e o que está atrás de você na fila vejam qual é. No metrô, tente ficar em pé, mais gente vai poder ler. Ande com ele. Deixe-o escorregar de vez em quando, vai chamar a atenção do mais desligado. Trombe com as pessoas. Ofereça, se alguém demonstrar interesse."

Cris Rogério ( idealizadora da campanha).

sexta-feira, 20 de junho de 2008

LANTERNAS VERMELHAS (1991)

No início do século XX a China ainda preservava algumas tradições milenares. Uma delas dava total liberdade ao homem rico, de possuir o número de esposas que ele bem desejasse. Quando utilizei o verbo possuir é porque estas mulheres eram compradas, e esses homens poderosos pagavam um dote por elas. A partir daí, a situação dessas mulheres seria a de propriedade. O filme concentra toda a sua tensão entre os muros da propriedade de um poderoso homem e a rivalidade de suas quatro esposas. A tradição é assim: o mestre seleciona uma de suas esposas para passar a noite. A eleita recebe um tratamento especial, com direito a massagem nos pés e a escolha do cardápio para as refeições do dia seguinte, e a fachada de sua casa é iluminada com enormes lanternas vermelhas. São raros instantes de prazer dos quais ela pode gozar antes de mais uma vez disputar a atenção do mestre com as “irmãs”. A chegada de Songlian gera ciúmes e descontentamento uma vez que ela rapidamente passa a se tornar a favorita do mestre.
Dividido em quatro partes — as estações do ano —, Lanternas Vermelhas apresenta as quatro mulheres, de quatro gerações diferentes, não tanto como esposas, mas sim como concubinas, destinadas a servir o marido num ciclo perpétuo de obediência e humilhação. As estações talvez simbolizem cada uma das quatro personagens: a primeira esposa, fria e pouco solicitada, seria o inverno. A segunda esposa, no outono da vida, luta silenciosamente contra o perecimento de sua fertilidade. A terceira esposa, bela como a primavera, é um poço de exuberância e classe. Songlian, representando o verão, é quente, incipiente, fresca. Os enquadramentos de Zhang Yimou, na maioria, são frios, distantes e simplistas. E por vezes, espetaculares. A fotografia do filme desenha um impecável contraste entre o brilho rubro que emana da casa eleita pelo mestre para passar a noite e a escuridão em que as outras três concubinas fazem seus planos de sedução. Lanternas Vermelhas expõe os sentimentos de vingança, traição e descontentamento em que as mulheres eram diariamente submetidas, o que é percebido com clareza em determinadas cenas como a do corte de cabelo. É notável a idéia do diretor em jamais mostrar o rosto do mestre ao longo do filme. Sempre o vemos de costas, ou de longe, ou por trás dos véus que circundam a cama de suas esposas, reforçando a idéia de que ele poderia ser qualquer um, qualquer pessoa daquela época. A ênfase está exatamente nas atrizes, apontando a condição feminina daquele país. As mulheres não tinham voz ativa em qualquer contexto, eram reduzidas unicamente a objetos sexuais, e poderiam sofrer graves conseqüências caso “saíssem da linha”. Lanternas Vermelhas, portanto, trata-se de uma denúncia não apenas ao horror da poligamia consentida, mas à luta pela sobrevivência das mulheres em meio ao machismo oriental.
Direção:Yimou Zhang
Produção: Chiu Fu-Sheng