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sábado, 18 de abril de 2009

18 de abril: Dia de Monteiro Lobato


Vendo no blog da minha amiga Suely do , UFFA! Bloguei! , senti vontade de comentar como me tornei leitora:

Meu pai foi um homem que possuia uma enorme bilblioteca e quando fomos ficando em idade de ler, comprava-nos uma imensidão de livros infantis. Depois já grandinhas, com 10 ou 11 anos apresentou-nos uma enorme coleção cor de vinho, em capa dura, de Monteiro Lobato com 22 volumes. Nossas férias eram sempre em torno destes livros, que líamos e relíamos, mas o nosso preferido mesmo era "Reinações de Narizinho".

Depois que ele morreu, minha mãe sorteou cada coleção entre nós ( três irmãs) e a coleção tão lida, ficou com minha irmã do meio (Yara).

Fiquei muito triste por não ter ficado com a coleção infantil de Monteiro Lobato, acabei ficando com a coleção adulta dele, embora tenha ficado com muitas outras coleções maravilhosas. Sempre falo para os meus alunos que pertenço a geração lobatiana, pois foi por causa destes livros que hoje sou uma professora de literatura.

Atualmente, ainda gosto muito dos livros dele. Um dos que mais me impressiona é o conto Urupês, que estou trabalhando nos terceiros anos. Gosto muito também dos contos "Negrinha" e "Colcha de Retalhos". Para quem também aprecia Monteiro Lobato, aí esta um conto completo.
Conto "Negrinha" .

terça-feira, 4 de março de 2008

NEGRINHA


É uma narrativa em terceira pessoa, impregnada de uma carga emocional muito forte. Sem dúvida alguma é um conto invejável. É interessante considerar aqui alguns pontos: a obra narra às condições subumanas em que a menina era obrigada a viver. Sua temática transcende vários conflitos humanos: uma criança criada como um bicho-gente, uma patroa má que descarrega suas mágoas na menina, a conseqüência de uma abolição fictícia. O tema da caridade azeda e má, que cria infortúnio para os dela protegidos, um dos temas recorrentes de Monteiro Lobato; outro aspecto que poderia ser observado é o fenômeno da epifania, a revelação que, inesperadamente, atinge os seres, mostrando-lhes o mundo e seu esplendor. A partir daí, tais criaturas sucumbem, tal qual Negrinha o fez. Ter estado anos a fio a desconhecer o riso e a graça da existência, sentada ao pé da patroa má, das criaturas perversas, nos cantos da cozinha ou da sala, deram a Negrinha a condição de bicho-gente que suportava beliscões e palavrórios, mas a partir do instante em que a boneca aparece, sua vida muda. É a epifania que se realiza, mostrando-lhe o mundo do riso e das brincadeiras infantis das quais Negrinha poderia fazer parte, se não houvesse a perversidade das criaturas. É aí que adoece e morre, preferindo ausentar-se do mundo a continuar seus dias sem esperança.
"Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças."
Tendo sido selecionado por Ítalo Moriconi e consta de "Os cem melhores contos brasileiros do século", editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 78 .

Ler o conto completo acessando o link abaixo:
http://intervox.nce.ufrj.br/~valdenit/lobato.htm