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sábado, 23 de fevereiro de 2008

As Mentiras que os Homens Contam


Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. "Então vou ter que inventar uma história para a professora", querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. "Está bem, fica em casa estudando!" E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos agüentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.
Com as namoradas, outras mentiras:
__Eu só quero ver, juro.Não vou tocar.
__Pode, mas só até aqui.
__Está bem. Não passo daí.
__Jura?
__Juro.
__Você passou! Você mentiu!
__Me distraí!
É incrível como esta obra de crônicas de Luis Fernando Verísimo faz sucesso com pessoas de todas as idades. Quando trabalho crônicas em minhas aulas e sugiro a leitura desta obra, acabo sabendo que o livro foi lido por todos da casa. Pais, mães, tios e inclusive os "alunos" ficam muito interessados em ler, o mais rapidamente possível. Também mexe com a imaginação de todos. Sempre tem um ou outro querendo dar palpites sobre o livro. Houve até um amigo que sugeriu que não está certo. É preciso que escrevam: " As mentiras que as Mulheres contam". Na minha opinião, acho que o livro condensa muito as mentiras. Deve existir inúmeras outras mentiras interessantes que os crônistas poderíam valer-se para explorar e nos fazer rir. Deste livro as crônicas mais lidas e comentadas são: "A Aliança", "O Dia da Amante" e "Homem que é Homem".
Como diz Veríssimo: Os homens só mentem , no fundo, para poupar as pessoas, e, sobretudo, para o bem das mulheres. É um gênio ou não é?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A MULHER


Existem várias lendas sobre a origem da mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral. Tirou uma das suas costelas e, com ela, fez a primeira mulher. A primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e aguentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação. Uma variante desta lenda diz que Deus, que já tinha ultrapassado o prazo da Criação, fez o homem à pressa, pensando "OK. Depois eu melhoro". Mais tarde, com o tempo, fez uns melhoramentos, a que chamou mulher, que é "melhor" em aramaico. Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro. Esmerou-se nas suas formas. Aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem. Só para aproveitar o barro. Em certas tribos nómadas do Médio Oriente, ainda acreditam que a mulher foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre se foi transformando até adquirir sua forma actual. No Extremo Oriente, uma lenda considera que as mulheres caem do céu, já de kimono. Já no Ocidente, persiste a crença de que mulher se compra através de anúncios, normalmente via telefone, podendo-se escolher idade, cor da pele e o tipo de massagem. Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica. Hoje sabe-se que o homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primevo. É descendente directo de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estado actual. Aí encontrou a mulher, que ainda ninguém sabe, realmente, de onde veio.
Luís Fernando Veríssimo