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terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Vestido de Laura, por Cecília Meireles


O vestido de Laura

é de três babados,

todos bordados.


O primeiro, todinho,todinho

de flores

de muitas cores.



No segundo, apenas

borboletas voando,

num fino bando.



O terceiro, estrelas,

estrelas de renda

- talvez de lenda...


O vestido de Laura

vamos ver agora,

sem mai demora!



Que estrelas passam,

borboletas, flores

perdem suas cores.


Se não formos depressa,

acabou-se o vestido

todo bordado e florido!
 Este poema foi o primeiro que me encantou no mundo da poesia. Acho que isto se deve à fascinação que sempre tive desde de menina por vestidos amplos, rodados e finos. Além disso, minha avó paterna, se chamava Laurinda e talvez essa emoção seja também por este fato. Ela era uma avó muito dedicada às netas e os seus presentes eram sempre vestidinhos rodados. Mas quando o levo para sala de aula, vejo o mesmo encantamento nos olhinhos dos alunos. Quando iniciamos a análise a fascinação aumenta, porque Cecília realmente emociona a cada estrofe. Após a leitura estrutural, chegam a uma análise mais profunda que revela o tema: "as fases da vida", sendo um dos temas preferidos da autora: A transitoriedade do tempo. Os três babados seriam: a primeira, segunda e terceira idade, bem como, no sentido figurado, mostra a passagem por cada uma dessas fases e, finaliza demonstrando que a vida passa rápido.
Um trabalho com ilustração dessa poesia dará sempre um belíssimo resultado e muita alegria com a garotada.

Esta imagem foi produzida com colagem de papel pintado, aquarela e canetinha nanquim.
Imagem da Motoca. net

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Tropicália e a Análise de seu discurso


Caetano Veloso é considerado um dos fundadores do movimento do Tropicalismo, que, em 1967, revolucionou a Música Popular Brasileira. Esse movimento pretendia instaurar uma nova atitude: sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, uma crítica. Vivíamos em plena Ditadura Militar, do então presidente Costa e Silva. Caetano Veloso mostra uma contundente necessidade de liberdade de expressão, para criar e criticar, porém via-se impedido pelas regras impostas pelo regime vigente.

Nessa época, as interferências do Departamento de Censura Federal, nas canções, já haviam se tornado costumeiras, algumas delas tinham versos cortados ou eram vetadas integralmente. Com o Ato Institucional nº 5, o AI5, de 13 de dezembro de 1968, a repressão política contra ativistas e intelectuais foi oficializada. Isso chegou até a levar Caetano Veloso à prisão, em 27 de dezembro.

Devido a todo esse clima repreensivo criado na época, Caetano Veloso, ao criar a canção Tropicália procurou esconder sua ideologia e sua crítica atrás de metáforas, marcas constantes em seu texto. Percebe-se, inicialmente, uma crítica à política brasileira, quando afirma, logo no início, eu oriento o carnaval (...) no planalto central do país. Ele faz uma referência a Brasília, capital do Brasil, situada no planalto central, e ao carnaval, como sinônimo de festa anárquica. Leia análise da letra da música...aqui


Fonte:Wagner Torlezi
Professor de Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e de Leitura e Produção de Texto para o Ensino Superior e pós-graduando em Língua Portuguesa pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, em Itu

Ouvindo: